O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 01/11/2019

Em setembro do ano 2000, os líderes mundiais reuniram-se na sede da ONU em Nova York, para adotar a declaração que estabelecia os 8 Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, dentre os quais, Garantir a Sustentabilidade Ambiental. Conquanto, o consumo desmedido de produtos descartáveis por parte da sociedade brasileira prejudica a conservação dos biomas nacionais e internacionais, bem como compromete a qualidade de vida do cidadão, haja vista que o manejo sustentável do lixo não é praticada no Brasil de forma ampla. Portanto, é fundamental analisar as causas e consequências que fazem dessa problemática uma realidade na contemporaneidade.

A priori, como consta em índices divulgados pelo PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), o Brasil é o quarto país que mais produz lixo no planeta. À vista disso, é essencial pontuar que, em contraste, apenas 2% de todo esse resíduo sólido descartável é reciclado, o que, em outras palavras, reduz a atuação da indústria de reciclagem no país. Por certo, o fetichismo de mercado, segundo Karl Marx, impacta negativamente a sociedade, de forma a retirar o valor real do produto, atribuindo-lhe então, um valor de status social. Em decorrência disso, frente ao bombardeio de inovações tecnológicas do século XXI, a mídia instiga o indivíduo a consumir ininterruptamente as novidades do mercado, de forma a produzir resíduos sólidos em grandes proporções, que tornar-se-á um poluidor. Esse quadro, por vez, contribui para a perpetuação da poluição do globo.

Outrossim, cabe ressaltar que a falha implementação das políticas públicas e leis vigentes é um fator agravante do descarte indevido. Para ilustrar, a coleta de lixo seletivo em escolas, que foi estabelecida como obrigatoriedade do poderio estadual do Rio de Janeiro em 2017, ainda não é efetivada em 96% dos municípios do estado, de acordo com um levantamento do Portal UOL. Como consequência, o resultante é expresso pela poluição desmedida dos oceanos, solos insalubres e lixões que congestionam as periferias urbanas e comprometem o turismo e a qualidade de vida nas cidades.

Destarte, com intuito de amenizar os impactos dessa problemática, faz-se necessária a intervenção do Poder Legislativo, que deve tornar a coleta seletiva uma obrigatoriedade passível de multa em todo o território nacional, a partir da alteração da lei atual sobre o descarte de resíduos sólidos. Ainda, é aconselhável que o Ministério da Economia incentive a atuação da indústria de reciclagem no Brasil, por meio de isenções ficais, fomentando sua essencial participação para a meta de sustentabilidade da ONU. Por fim, o Ministério do Meio Ambiente, em parceria com a mídia, deve promover campanhas de conscientização para incentivar o cidadão a praticar a coleta seletiva doméstica. Feito isso, o consumo no país terá um teor mais sustentável, bem como menos prejudicial a natureza.