O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 23/07/2020
Na obra ‘‘Utopia’’, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade harmônica, na qual o corpo social é padronizado pela ausência de conflitos e problemas. Entretanto, no Brasil, chama a atenção a atual situação do lixo na sociedade canarinha e abre discussão sobre o perfil consumo do brasileiro. Nesse contexto, os dilemas que envolvem tal processo ocorrem, sobretudo, por questões educativas e ausência de políticas públicas concretas.
Precipuamente, cabe destacar que a produção de lixo aumentou muito nos últimos tempos. Isso decorre pelo aumento de bens não duráveis, excesso de produção de aparelhos eletrônicos, eletrodomésticos e produtos, principalmente tecnológicos, que incentivam o consumismo e a troca, diversas vezes desnecessárias que acarretam problemas ambientais e sociais. Nesse sentido, consoante a Byung Chul-Han, em sua obra ‘‘Sociedade do Cansaço’, vive-se, no século XXI, uma busca pela produtividade, na qual o sucesso é atrelado à capacidade produtiva, o que incentiva o consumismo. Em linhas gerais, indivíduos nesse cenário tendem a ter um comportamento pouco consciente e voltado para o sucesso material e social, o que faz do lixo uma consequência desse comportamento. Por conseguinte, segundo a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, o Brasil registra forte aumento do número de lixões desde 2010
Ademais, delineia-se oportuno lembrar que a Constituição Federal Brasileira garante, na forma da lei, proteção ao meio ambiente. Entretanto, segundo dados do Banco Mundial, o Brasil ocupava, em 2019, o quarto lugar de maior produtor de lixo plástico do planeta, o que demonstrou a ineficácia da aplicação da lei e expôs, de forma clara, a controvérsia entre leis e suas devidas aplicações, haja vista que a produção de lixo impacta diretamente no meio ambiente. Segundo Hannah Arendt, em sua obra ‘‘Banalidade do Mal’’, quando ações antiéticas são praticadas recorrentemente, elas tendem a ocupar um lugar de normalidade e se tornam ordeiras. Logo, o Estado é também incentivador desse quadro.
Em vista dos fatos supracitados, medidas exequíveis são necessárias. Torna-se necessário, então, que os Ministérios da Educação e do Meio Ambiente atuem com projetos educativos sobre consumo. Isso pode ser feito com palestras de ambientalistas tanto em escolas e universidades, como também em mídias de rádio tv e internet, para solidificar e educar corretamente os brasileiros quanto a um consumo consciente e sua importância ambiental e social. Outrossim, é importante que o Estado em consonância com sua constituição passe a aplicar medidas concretas em relação ao lixo produzido no Brasil, isso pode ser feito com verbas dadas ao Ministério do Meio Ambiente para incentivar a coleta seletiva e a buscas mais conscientes sobre o descarte do lixo, que exclua a criação de novos lixões.