O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 05/11/2019
Eclodiu no século XVIII, na Grã-Bretanha, um movimento que dividiu a história da produção mundial em duas partes: o antes da Revolução Industrial, e o depois. Diante disso, dois outros fatores surgiram, o consumismo exagerado, e, como consequência, a superprodução de resíduos. Partindo desse prisma, o Brasil tornou-se, a nível mundial, o 4º maior produtor de lixo, tornando assim, em um fator notório o descaso do poder público e da sociedade perante esse problema gravíssimo.
Segundo o filósofo Thomas Hobbes, autor da célebre obra “Leviatã”, é dever do Estado manter a sociedade em harmonia social. Entretanto, percebe-se que o poder público tornou-se negligente e omisso no que tange ao investimento em políticas sustentáveis. Por conta disso, o lixo vem sendo recolhido e acumulado de forma inapropriada em razão da falta da iniciativa pública. Posto isso, não há a devida separação dos resíduos, nem o descarte correto, acarretando a formação de substâncias tóxicas e nocivas ao nicho usado, e aos seres que vivem nele. Logo, é de prioridade máxima que ações enérgicas sejam tomadas na direção de resolver, com veemência, tal problemática.
Em segunda instância, o sociólogo polonês, Zygmunt Bauman, em seu renomado livro “Vida Líquida”, aborda sobre a sociedade consumista e como as pessoas usam o mercado em busca da autoestima e felicidade. Tal quadro é refletido em um sofrimento e uma insatisfação sem uma causa aparente, e, por conta do constante avanço tecnológico, a sociedade está comprando sempre que surge algo novo. Esse habito é doentio, pois o ciclo interminável composto por compra e por descarte, prejudica duplamente a população, pois não só aumenta exponencialmente o volume de lixo, mas também reforça um costume psicologicamente degenerativo. Por conseguinte, é explícita a necessidade de atitudes veementes com o fito de solucionar essa conjuntura alarmante.
Urge, portanto, que o Ministério do Meio Ambiente, com aporte financeiro da União, desenvolva um tipo de reciclagem seletiva-energética, na qual os resíduos recicláveis serão reciclados, e os resíduos orgânicos serão usados num biodigestor na produção de gás para a população local, solucionando os problemas advindos do excesso de lixo, além de beneficiar a sociedade. Ademais, as escolas, com aprovação e o apoio do Ministério da Educação, devem, desde cedo, promover, para crianças e jovens, educação de consumo, através da participação de psicólogos e de ambientalistas, que, juntamente, cooperem para mostrar o quão prejudicial, é o consumo desregrado, com o fito de dar um norte para os futuros compradores do país.