O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 25/01/2020
‘‘Somente quando a última árvore for cortada, o último rio for poluído, e o último peixe for pescado, vocês aprenderão que dinheiro não se come’’, o ditado popular indígena traduz em poucos versos as pressões do consumo sobre a natureza. O excesso de lixo, essencialmente aquele advindo dos hábitos humanos, impõe severos questionamentos sobre a procedência dos modelos de produção adotados nos últimos séculos. Todavia, felizmente, a efervescência da modernidade e ascensão de novas gerações trouxe novas alternativas e perspectivas para o futuro do lixo no planeta.
Em primeiro plano, cabe observar a relação de vínculo entre o lixo e a sociedade de consumo. Por volta de 1920, o empresário Henry Ford criou um sistema de produção em larga escala, responsável por fabricar cópias e mais cópias de um mesmo produto e direcioná-lo para o consumidor. Isoladamente, a produção em série já representava um problema em termos de produção excessiva, então, eventualmente, todos passaram a comprar a ideia do consumismo injustificado. Segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, com a expansão da influência da indústria e o enfraquecimento das relações orgânicas, as pessoas passaram a sentir a necessidade de comprar para existir; logo, a situação do desperdício passou em poucas décadas de incômoda para intolerável.
Entretanto, a modernidade quer tornar obsoleto o consumo inconsciente e extrapolado, típico das décadas passadas. A nova Era apresenta a proposta ‘‘zero waste’’ (do inglês, ‘‘desperdício zero’’) e as gerações ‘‘millenial’’ e ‘‘Z’’ mostram uma estrita preocupação com aspectos da sustentabilidade, tendo sido conhecidas por sua característica atuação no ativismo ambiental. No Youtube, são populares os vídeos com caráter ecológico e sustentável. Em jus à categoria, os jovens do canal Asapscience compartilharam um vídeo em que ‘‘vestiam’’ todo os resíduos plásticos usados por eles ao longo de uma semana, o objetivo era chamar atenção, obviamente, à causa do lixo e do consumo desnecessário.
Desse modo, apesar da sociedade de consumo afetar dura e expressivamente a realidade do lixo, o mundo logo reconhecerá novas propostas, de acordo com o escritor Luís de Camões ‘‘Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades’’. Portanto, é de responsabilidade do Governo Federal desestimular a compra de marcas poluidoras por meio de incentivos fiscais sobre a compra de produtos sustentáveis. Ao favorecer indivíduos que optem por mercadorias do gênero e realizem a reciclagem regular do lixo doméstico, o consumo desordenado e a quantidade de resíduos serão substancialmente reduzidos e, ainda, a população estará consciente da atuação do governo em prioridades de ordem ambiental.