O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 05/03/2020
Ao longo do filme “Wall-e” observamos a realidade, não tão ficcional, de um mundo dominado pelo lixo e pelo consumismo desenfreado, como é mostrado nos passeios do robô, os cartazes eletrônicos de comida e outros itens de uso pessoal. Além disso, a obsolescência programada de aparelhos eletrônicos e a necessidade constante do brasileiro de se afirmar comprando itens de que não precisa, sendo movido pelas influências midiáticas, contribui pesarosamente para o acúmulo de lixo no país.
Segundo o jornal El País, a Apple já foi acusada pela França de manipular baterias de iPhones encurtando o tempo de vida útil de seus aparelhos. Casos como esse não são frequentes no Brasil porque não há leis que regularizem e punam essas práticas, assim como não há eficácia da regularização e descarte adequado do lixo, ou a completa falta de atenção para com o trabalho dos catadores. O documentário “Lugar de toda pobreza” revela essa realidade, no bairro de São Pedro, tão negligente das pessoas que tiram seu sustento através do lixão. E, 40 anos depois de terem transformado esse lugar, por intervenção da ONU, ainda existem quase 3 mil lixões ou aterros irregulares que afetam a vida de muitos brasileiros.
Ademais, outra cena do filme “Wall-e” bastante reflexiva é a superficialidade das relações humanas na nave espacial e a ignorância dos mesmos para com o mundo ao redor; analogamente, podemos comparar essa superficialidade e a ignorância que temos com o lixo que produzimos e seu destino. Nos tornamos uma sociedade demasiado consumista objetivando apenas o lucro e o prazer do status social. A frase “Temos trabalhos que odiamos para comprar coisas de que não precisamos”, do livro Clube da Luta, explana acertadamente a afirmação anterior de que os brasileiros têm se tornado cada vez mais materialistas.
Destarte, é necessário que a sociedade brasileira seja conscientizada das consequências desse consumismo e os impactos para o meio ambiente e as condições de trabalho dos catadores, logo, as prefeituras municipais devem, por meio de propagandas em massa transmitir tais informações, além de organizar mutirões quinzenais para as coletas seletivas e palestras sobre reciclagem e os efeitos gerados pelo consumo alienado, visando a diminuição do lixo doméstico e o desperdício de resíduos. Desse modo, talvez não precisaremos fugir do planeta em naves espaciais e de robôs fazendo pilhagens de lixo.