O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 30/03/2020
A Revolução Industrial, ocorrida na Inglaterra na segunda metade do seculo XVIII, provocou inúmeras transformações na sociedade. Por conseguinte, houve a maior necessidade de descartar matérias que não seriam mais usados. Análogo a isso, na sociedade brasileira atual, o lixo tornou-se um problema mais grave, pois tanto o aumento da população quanto o consumismo desenfreado ratificam esse quadro deletério.
Vale destacar, primeiramente, que uma das principais motivações para essa questão é o crescimento da população. Assim, segundo o relatório do Programa das Nações Unida para o Ambiente, cerca de dois bilhões de toneladas de lixos são produzidos, anualmente, em todo o mundo. Paralelamente a isso, o Brasil, de acordo com estudo feito pelo Fundo Mundial para a natureza, é o quarto que mais produz lixo no mundo. Diante disso, sabe-se que a geração de resíduos está atrelada ao crescimento econômico e, hoje, com a globalização em estágio avançado, o processo de expansão de empresas globais reverberou no avanço industrial que, ocasionalmente, torna maior a produção de resíduos. E, com isso faz-se surge uma maior geração de detritos que não são descartados corretamente.
De modo secundário, o consumo desenfreado é outro fator marcante nessa problemática. Nessa perspectiva, para o filosofo Zygmunt Bauman, no livro Modernidade Líquida, as pessoas passaram a gerar mais refugo devido ao consumismo, já que a prioridade não é acumular bens, mas usá-los e descarta-los em seguida, com a intenção de abrir espaço para as novidades mercadológicas. Em adição, vale destacar a obsolescência programada-consiste em produzir itens já estabelecendo o termino da vida útil- como um grave problema para o Brasil, pois, conforme pesquisa da Organização das Nações Unidas, é o pais líder na produção de lixo eletrônico na América Latina. Nesse viés, esse lixo criado de forma desnecessária provoca sérios danos, prova disso é a poluição e os desperdícios de recurso naturais.
Posto isso, para que essas questões sejam combatidas, é essencial o comprometimento de toda a sociedade brasileira. Nesse sentido, cabe ao Estado- órgão responsável pela ordem social-, junto às escolas, trabalhar em um contexto de reciclagem desses resíduos, por meio de atividades recreativas, para a elaboração de novos utensílios, a fim de começar a tratar o problema desde a base, com conscientização. Outrossim, as empresas podem usar a logística reversa, com a finalidade de mitigar impactos causados por descartes inadequados, para, então, dar um passo rumo ao desenvolvimento sustentável do planeta, visto que irá possibilitar a reutilização e redução no consumo, de forma a evitar o desperdício.