O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 15/04/2020

Desde o advento da Revolução Industrial, bem como o surgimento de um capitalismo financeiro baseado em uma sociedade de consumo, os processos de produção se intensificaram consideravelmente, o que diz respeito ao extrativismo de matérias-primas e também à quantidade de lixo gerada em razão do estilo de vida adotado. Logo, são evidentes os danos causados à natureza e ao ser humano, seja pela exploração excessiva dos recursos naturais necessários para a intensa produção, seja pela poluição causada pelos detritos descartados erroneamente. Nesse sentido, convém analisar os principais impactos e suas respectivas consequências.

É indubitável o fato de que existe a necessidade da obtenção de elementos provenientes do meio ambiente para a produção industrial. No entanto, a demanda hodierna é excessiva e insustentável a longo prazo, caso os padrões sejam mantidos. De acordo com o liberal inglês Adam Smith, “O consumo é a única finalidade e o único propósito de toda produção.” Portanto, enquanto a sociedade tiver o interesse em determinado fim, os responsáveis pela sua confecção estarão igualmente interessados em servir tal aclamação, independente do quão viável seja esta ação no âmbito da sustentabilidade.

Ademais, os recursos retirados da natureza são a ela devolvidos em forma de dejetos, de maneira que se acumulam, e analogamente causam graves impactos sociais, principalmente às camadas mais pobres da sociedade. Segundo o filósofo da Escola de Frankfurt, Hebert Marcuse, o modus vivendi atual baseia-se na busca do preenchimento da vazia alma por meio do consumo exacerbado, dando ao seu descarte um papel secundário, já que os impactos são percebidos de modo indireto. E tais consequências estão relacionadas a contaminação da água e solo pelo chorume, enchentes causadas pelo entupimento de bueiros e o aparecimento de animais (como os ratos) que transmitem doenças aos humanos. E para evitar esses danos, existem diferentes meios de encaminhar tais detritos de modo que não prejudiquem consideravelmente os setores da sociedade que compõe o grupo de risco destes efeitos.

A fim de diminuir o extrativismo vegetal e destinar de modo mais seguro e saudável o lixo das residências, é imprescindível uma reforma legislativa desta questão. Além de aprovarem-se no Congresso, leis que estabeleçam o limite de exploração por parte das indústrias, a construção de aterros sanitários que substituam os lixões é ainda mais urgente. Por meio de verbas públicas, o Ministério do Meio Ambiente deve administrar e encaminhar tais projetos aos governos estaduais, de modo que estes efetuem as reformas. Assim, é possível que o lixo tenha a sua biodegradação sem que afete diretamente a população.