O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 26/04/2020

Promulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os cidadãos o direito à saúde e ao bem-estar social. No entanto, o desenfreado consumo e o consequente aumento na produção de lixo, no Brasil, impede que isso aconteça na prática. Nesse contexto, evidencia-se a necessidade de serem tomadas atitudes com o intuito de alcançar uma sociedade integrada.

Em primeiro lugar, é indubitável que a questão constitucional e a sua aplicação estejam entre as causas do problema. Segundo o filósofo Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, a falta de incentivos governamentais, com o propósito de mitigar efeitos oriundos do acúmulo de entulhos (doenças etc.), rompe essa harmonia. Mediante dados do Ministério da Saúde (MS), tem havido um crescimento de, em média, 30% no número de brasileiros infectados por enfermidades provindas do lixo (leptospirose, leishmaniose, etc.). Dado ao exposto, nota-se a carência de políticas públicas bem planejadas e executadas.

Ademais, destaca-se o consumismo, por parte da população brasileira, como fatos impulsionador do problema. De acordo com Durkheim, o fato social é uma maneira de agir e de pensar dotada de exterioridade, coercitividade e generalidade. Seguindo esse raciocínio, observa-se que embora haja o princípio dos 3R’s ( Reduzir, Reutilizar e Reciclar), fornecendo, assim, um padrão para as pessoas consumirem de forma consciente, o âmbito social ainda negligencia tais medidas numa perspectiva capitalista (lucro em primeiro lugar) ocasionando, então, o próprio caos social ao passo que o ideal de prevenção e não-geração de resíduos é omitido. Logo, tal fato representa um grave retrocesso para a população vigente pois ela fica à mercê de políticas públicas vulneráveis e relapso.

Portanto, percebe-se que ainda há entraves para atenuar os impactos causados pelo consumismo e a grande quantidade de lixo. Dessa forma, faz-se necessário que o MS, em parceria com o Governo, crie, por meio de processo seletivo uma comissão com profissionais capacitados (biólogos etc.), com a intenção de realizar, junto à população, palestras à respeito da importância do consumo consciente. Destarte, com a finalidade de mudar hábitos e pressionar por uma sociedade mais sustentável. Outrossim, o MS, deve, por meio de verbas públicas, investir em programas de fiscalização que reforcem o Princípio dos 3R’s, nas grandes e médias empresas, realizado por policiais e agentes sanitários, por exemplo, com o desígnio de minimizar a produção de detritos que venham a pôr em risco a saúde das diversas formas de vida.