O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 21/04/2020
A animação “Wall-e” retrata um futuro distópico no qual a humanidade se mudou da Terra, pois essa se encontra sobrecarregada de lixo, e deixou robôs para limpar o ambiente. Em uma cena do filme, o protagonista encontra vários cartazes, que estimulavam o consumismo, no meio das pilhas de entulho. Infelizmente, fora da ficção, o Brasil e o mundo também enfrentam a principal consequência do consumismo desenfreado: a produção e acumulação em massa de resíduos que danificam profundamente o Planeta.
Antes de tudo, vale ressaltar que a cultura consumista tem suas origens com a consolidação do capitalismo, durante a Segunda Revolução Industrial. Tal fato histórico inseriu no mundo a produção de bens que são planejados para perderem seu funcionamento em certo tempo, tática chamada de obsolência programada. Assim, o consumidor é obrigado a trocar seus produtos com frequência, e o sistema econômico não quebra. Certamente, todo esse processo é acompanhado pela massiva produção de rejeitos e outras formas de poluição.
Consequentemente, os impactos que a natureza sofre também são abundantes, já que tudo está intimamente ligado. Segundo a “World Wide Fund for Nature” (WWF), o Brasil é o quarto maior produtor de lixo do mundo, e a quantidade reciclada não acompanha esse dado. Sabe-se que poucas cidades tem o programa de coleta seletiva, que destina os dejetos à reciclagem, e que a população pouco sabe sobre o assunto. Como resultado, grande parte é encaminhado aos aterros sanitários ou lixões que provocam a poluição dos lençóis freáticos pelo chorume, liberação de gases que causam o aquecimento global, mau cheiro e abrigo para animais que causam doenças.
Percebe-se, portanto, que medidas são necessárias para combater os efeitos do consumismo exacerbado na natureza. É fundamental que o Ministério do Meio Ambiente em conjunto com o Ministério das Comunicações insiram, em todas as cidades brasileiras, a coleta seletiva obrigatória, e o não cumprimento dessa levaria à multa. Tudo isso seria divulgado por meios de campanhas mediáticas que explicariam à população sobre como separar o lixo para ser coletado, outras maneiras de reciclar e exemplificariam as consequências do consumismo. Dessa maneira, aos poucos, a mentalidade da população mudaria, e ocorreria o distanciamento da realidade distópica que ocorre na obra cinematográfica “Wall-e”.