O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 21/04/2020
É inegável que o lixo e a sociedade de consumo continuam a ser uma problemática no Brasil. Certamente, o consumismo e por conseguinte a superprodução de lixo, somadas à ineficácia estatal, corroboram para o consumo desenfreado e a poluição do meio ambiente, assim perpetuando esse cenário. Logo, cabe ao Poder Público promover medidas que visem o descarte correto do lixo, bem como a educação para o consumo.
É importante pontuar, de início, que o consumo descontrolado é fomentado por um inconsciente coletivo onde há a supervalorização do bem de consumo. Nessa perspectiva, um conhecido termo, cunhado pelo sociólogo Karl Marx, entra em cena: fetichismo da mercadoria. O pensador elabora que o produto perde seu vínculo com o trabalho dedicado a sua produção, desse modo, há a supervalorização de um produto e/ou sua constante atualização. Por conseguinte, o que passa a ser estimado não é um produto que simplesmente funcione, mas o poder de escolher, comprar e possuir o que é novo e atual. Sem dúvidas, essa dinâmica contribui para o comportamento consumista e, portanto, para a maior produção de lixo levando em conta que junto à atualização do produto tem-se o descarte do anterior.
Vale ressaltar, também, que a superprodução de lixo infere diretamente no bem-estar social e ambiental. Indubitavelmente, há a geração demasiada de dejetos atualmente, e os lixões e aterros sanitários não são capazes de comportar tal demanda — principalmente nas grandes cidade — como em São Paulo, onde diariamente são produzidos 14 milhões de quilos de lixo, segundo site Instituto Gea Ética e Meio Ambiente. Nesse sentido, percebe-se que a grande demanda de lixo influi diretamente no bem estar urbano e social, visando que o descarte do lixo poderá ser feito de forma inadequada e, dessa maneira, poderá contribuir para a contaminação do solo, de lençóis freáticos e de corpos d’água, ou até mesmo para o entupimento de boeiros e poluição da cidade.
Portanto, é notável que o lixo e o consumo em demasia continuam a ser um problema para a sociedade. Em suma, o Ministério da Ciência e Tecnologia deve promover a criação de uma campanha acerca do consumo consciente e a responsabilidade do consumidor como produtor ativo de lixo, afim de sensibilizá-los sobre consumo desenfreado e suas consequências, sem que isso os prejudique ou lese a natureza, deverá ser veiculado na internet levando em conta que, dessa maneira, poderá ter acesso em ampla escala à população. Cabe ressaltar, também, que o incentivo a reciclagem é imprescindível para a resolução dessa incógnita. Somente assim, poderá ser instaurada uma sociedade menos consumista e a maior valorização do “ser” em detrimento do “ter”.