O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 21/04/2020
É fato que o número de lixo produzido no Brasil cresce ano após ano e o seu descarte ocorre de maneira inadequada. De acordo com uma análise do Panorama dos Resíduos Sólidos, a produção de lixo brasileira tem avançado de maneira mais rápida do que a infraestrutura para lidar com os problemas originários da má destinação do lixo. Embora a Política Nacional dos Resíduos Sólidos tenha sido instituída em 2010, visando o fim do descarte incorreto do lixo, nesse contexto, em lixões, ainda não foi efetivada. Desse modo, no país, a produção de lixo está em crescimento, ocasionada pelo apelo midiático que engaja a ter-se uma sociedade cada vez mais consumista.
Em primeiro plano, observa-se que o Brasil gera em torno de 79 bilhões de toneladas de resíduos sólidos por ano, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Tal episódio deve-se ao fato de o sistema capitalista vigente em diversos países, a exemplo do Brasil, instigar a população a fazer parte da sociedade consumista. Conforme o documentário “A história das coisas”, os produtos produzidos atualmente possuem uma obsolescência programada, ou seja, um tempo útil determinado, fato que instiga a compra e o descarte cada vez mais rápido dos objetos, gerando ainda mais lixo no ambiente.
Outrossim, faz-se analogia ao filme de animação “Wall-E”, que retrata uma sociedade que se retirou do planeta Terra, já que esse estava saturado de lixo e gases tóxicos. O filme retrata uma realidade extrema, contudo possui um impacto e uma reflexão valiosa. Segundo dados do Banco Mundial, o Brasil é o quarto maior produtor de lixo plástico do mundo. Além disso, cerca de 22% de tal lixo não possui o destino correto, sendo descartado em lixões a céu aberto. Ademais, o brasileiro produz 1 quilo de lixo plástico por habitante a cada semana, contribuindo para que a realidade de “Wall-E” esteja cada vez mais próxima.
A fim de resolver essa problemática, é mister que o Estado, juntamente com o Ministério da Cidadania, por meio de verbas destinadas à área, crie medidas e campanhas que visem a conscientização que o consumo excessivo traz ao meio ambiente. Tais medidas, além de inteirar a população, devem fazer com que as empresas e indústrias fabriquem objetos com uma maior vida útil, com o intuito de reduzir o consumismo exacerbado. Igualmente, cabe ao Estado colocar em vigor as leis vigentes, a exemplo da Política Nacional de Resíduos sólidos, com o objetivo de que o futuro seja diferente do que o retratado na animação.