O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 24/04/2020
Na obra televisiva “Avenida Brasil”, de João Emanuel Carneiro, um dos cenários apresentados é um lixão, cuja ambientação é na cidade do Rio de Janeiro. Fora da ficção, a realidade brasileira assemelha-se muito com a descrita, tendo em vista que há diversos aterros sanitários espalhados por todo o país. Isso decorre em razão do lento processo de adesão aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) por parte do Brasil e evidencia-se na exacerbada produção de materiais de baixa degradabilidade pelas indústrias, ao passo que, simultaneamente, persiste o consumo desses pela população.
Em primeiro lugar, é imprescindível citar os avanços históricos acerca do meio ambiente. Desde a 1ª Revolução Industrial, a relação entre produção em massa e consumo sustentável obteve modificações, sobretudo em razão dos protocolos internacionais. Nesse caso, os ODS correspondem as metas estabelecidas por diversos países para efetivação de um mundo menos poluente. Por isso, o Brasil, enquanto signatário, deveria atentar-se a sua conclusão. No entanto, o país, ao estabelecer poucas medidas às indústrias produtoras de resíduos não-biodegradáveis, permanece aquecendo esta cadeia produtiva, fazendo, deste modo, com que a questão do lixo não configure um assunto tão relevante como se mostra.
Ademais, é notório o persistente consumo de materiais insustentáveis na sociedade brasileira. Para além disso, o descarte inadequado desses, como em rios e terrenos baldios, também se estabelece como um desafio. Nesse sentido, ainda que a Política Nacional de Resíduos Sólidos estabeleça restrições legais para esses casos há dez anos, o tratamento do lixo no Brasil vincula-se, concomitantemente, a falta de consciência ambiental da população.
Dessarte, medidas são necessárias para acelerar as atividades correspondentes aos ODS. Para isso, faz-se necessária a atuação do governo federal na elaboração de um plano de redução da produção de sólidos insustentáveis. Isso deverá ocorrer por meio de incentivos fiscais às indústrias que comprovarem o investimento em alternativas ecológicas. Não obstante, cabe ao Ministério da Educação incluir a disciplina de gestão ambiental na Base Nacional Comum Curricular, para que, por meio das aulas, crie-se o interesse pela sustentabilidade. Com ambas as iniciativas, espera-se que o lixão representado em Avenida Brasil torne-se distante da realidade brasileira.