O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 01/05/2020
A Revolução Técnico-Científica-Informacional, ocorrida na segunda metade do século XX, caracterizou grande evolução da tecnologia e da ciência para a sociedade. Entretanto, inferiu, também, uma tendência à produção massiva do lixo, uma vez que promoveu a fabricação em larga escala de produtos em sua maioria obsoletos e de pequena duração. Nesse sentido, percebe-se a configuração de grave problema no que concerne à geração exacerbada do lixo pelos brasileiros, em virtude da displicência estatal na gestão deste e a base educacional lacunar dos cidadãos. Dessarte, urge a adoção de medidas para solucionar o impasse.
Em primeiro momento, é preciso atentar para a negligência do Estado presente na questão. Consoante ao historiador Sérgio Buarque de Holanda, desde a colonização o brasileiro é marcado pelo intenso individualismo que o leva a se apropriar do público para fins particulares. Nesse viés, nota-se uma aproximação com a ação estatal, visto que o descarte correto de lixo produzido carece de recursos estatais, os quais são vinculados a outros fins do Governo. Em suma, a falta de gestão adequada no tratamento do lixo, como maiores investimentos na reciclagem deste, corrobora a formação de inúmeros lixões pelo país, além do intenso risco à saúde da população ao redor deles.
Por conseguinte, é imperioso ressaltar a educação desqualificada na perpetuação do problema. Conforme preconiza o intelectual Paulo Freire, na ausência de uma educação adequada é inviável qualquer mudança no mundo. Em síntese, a lacuna no sistema educacional brasileiro contribui para a persistência da questão na sociedade, uma vez que os cidadãos não têm acesso ao conteúdo da educação ambiental. Logo, a parcela social que não possui acesso à educação de qualidade não só produz o lixo de forma exagerada, como também carece informação suficiente para a coleta adequada deste.
Torna-se evidente, portanto, que o problema do lixo brasileiro tem suas causas em questões estatais e educacionais. Dessa forma, urge que o Ministério da Integração Nacional - órgão responsável pelas políticas públicas para o desenvolvimento do país- promova um plano de abrangência nacional que garanta o investimento adequado no descarte de lixo, bem como na introdução da educação ambiental em todas as regiões brasileiras. Tais ações devem ocorrer por meio de fiscalizações no estados e consultas públicas que estabeleçam o contato direto com a população, com vistas à garantia do investimento público na gestão do lixo e informação de qualidade para os cidadãos. Assim, a sociedade poderá desfrutar dos avançados elementos promovidos pela Revolução Técnico-Científica de forma correta e consciente.