O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 01/05/2020

Em “O Auto da Barca do Inferno”, Gil Vicente, o pai do teatro português, tece uma crítica ao comportamento vicioso do século XVI. Fora da ficção, o Brasil do século XXI demonstra as mesmas conotações no que se refere ao descarte de lixo e a sociedade de consumo. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação, que possui como causas: o individualismo e a falta de punição.

Primordialmente, é preciso atentar para o individualismo presente na questão. A obra de Zygmunt Bauman, “modernidade líquida”, aponta que a pós-modernidade é vigorosamente dominada pelo egocentrismo. Em virtude disso, é influenciado o crescimento constante da falta de empatia, pois, para se colocar no lugar do próximo, é necessário parar de olhar pra si. No entanto, a sociedade consumista atual não se preocupa em notar que o consumo excerbado de materiais não recicláveis prejudica o meio ambiente e a sociedade como um todo, no que se refere a desastres ambientais, como enchentes que ocorrem em razão do acumulo de lixo na tubulação de esgoto. Essa liquidez que influi sobre a questão da abundância de resíduos atua como um forte obstáculo para a sua resolução.

Ademais, a impunidade se faz terreno fértil para o aumento de lixo mal descartado. Nesse panorama, a doutrina de Marthin Luther King de que a “injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo lugar” se enquadra de maneira exata. Dessa forma, cria-se um cenário de generalização da injustiça, pois os indivíduos que não são punidos pela falta de consciência ambiental e social continuarão despejando seus resíduos de maneira prejudicial. Portanto, a falta de castigo para o péssimo hábito em questão, incentiva a persistência desse comportamento da população, sendo assim, conveniente que esses atos sejam julgados de maneira justa.

Torna-se evidente, portanto, que é necessário desenvolver medidas estratégicas para cuidar do grave acúmulo de lixo. Cabe ao Ministério da Educação somado ao Ministério do Meio Ambiente, desenvolver palestras em escolas, para alunos de Ensino médio, por meio de peças teatrais, feitas pelos próprios estudantes com auxílio de especialistas no assunto. Essas apresentações devem ser transmitidas nas redes sociais, a fim de atingir um público maior, com  intenção de mudar o cenário de descarte de lixo e cuidar do meio ambiente. Assim, ressalta-se a relevância de resolver a problemática no momento atual, pois, como defendeu Luther King: “toda hora é hora de fazer o certo”.