O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 07/05/2020
A Revolução Industrial, inciada no século XVIII, na Inglaterra, se desdobrou em todo o mundo sendo impulsionada pelo Capitalismo que visava a produção de bens duráveis para a a obtenção de lucro. Posteriormente, a partir da década de 1930, o modelo de produção Toyotista juntamente ao estilo de vida americano “American Way of Life”, proporcionou um grande escoamento da produção favorecendo a política da obsolescência programada, a fim favorecer o consumismo não apenas nos Estados Unidos, mas também no Brasil. Nesse contexto, vê-se que produtos programados para serem poucos duráveis proporcionam um grande acúmulo de lixo, trazendo assim, problemas sociais, ambientais e sanitários devido a ausência de uma infraestrutura adequada para o descarte desses rejeitos.
A princípio, devido a falta de aterros sanitários suficientes para a destinação final dos resíduos, a maior parte do lixo no Brasil é levado para lixões de céu aberto, contrariando a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), posposta em 2010, que determinava o fechamento de todos os lixões brasileiros. Não obstante, observa-se uma série de prejuízos ambientais a partir dessas ações. Inicialmente, a produção de chorume pela matéria orgânica, podendo contaminar não apenas o solo, mas também os cursos d’água a partir da infiltração do lençol freático, adicionalmente, a emissão de gases ligados ao efeito estufa, o que piora a crise climática, interferindo na fauna e na flora.
Por conseguinte, o Brasil é uma das principais economias do mundo, porém há indicadores sociais que o aproxima de países miseráveis, em razão de o desenvolvimento econômico contradizer a ideia de igualdade social, dado que exitem realidades distintas em que pessoas estão fortemente alienadas à obsolescência programada e há indivíduos que vivem na miséria e que sobrevivem dos produtos descartados. Segundo o geógrafo Milton Santos, a globalização se apresenta como fábula por invisibilizar acontecimentos sociais, pois a desigualdade social é perversa, tornando as relações sociais cada vez mais limitadas. Outrossim, indivíduos que vivem em contato direto com o lixo estão mais sujeitos ao contágio de doenças de doenças infecciosas carregadas por vetores atraídos pelo lixo a céu aberto, aumentando, por exemplo, casos de cólera, dengue e leptosprose.
Logo, é necessário que se combatam os valores impostos pela sociedade de consumo, com o intuito de diminuir a crise de lixo. Portanto, o Governo em parceria com as ONGs ligadas a questões socioambientais, criem campanhas por meio das mídias televisivas, radiofônicas e sociais, devido a sua grande abrangência, em que sejam explicados os danos do consumismo ao meio ambiente, à saúde e à sociedade, bem como, mostrar estratégias para reduzir o consumo, além de reciclar. Para mais, fazer acontecer a PNRS de 2010, e destinar verbas aos municípios para a construção de aterros sanitários.