O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 07/05/2020
A animação de 2008, Wall-E, ilustra um futuro distópico, em que a Terra foi completamente destruída pelos impactos ambientais causados pela produção do lixo, sendo robôs os responsáveis por limpar -lá, uma vez que a humanidade há tempos vive em uma estação espacial esperando que seu planeta se torne habitável novamente. O filme, além de expor a atual preocupação com o futuro do planeta em relação ao lixo, suscita a reflexão acerca das causas que levaram a tal situação e as possíveis soluções para o problema. No contexto brasileiro, verifica-se um descaso da população para com a geração e destino desses resíduos levando a sua acumulação em lugares impróprios.
Em primeira análise, constata-se que a partir da Segunda Guerra Mundial, com o avanço tecnológico, a reposição de produtos acelerou drasticamente, o que inevitavelmente contribuiu para o aumento da produção de lixo, à medida que os produtos sem utilidade são descartados. Análogo ao pensamento de Adam Smith de que o consumo é a única finalidade e proposito da produção, para que se tenha uma economia crescente é inevitável que o consumo tem de estar presente, porém a quantidade de resíduos que essa prática proporciona é imensurável. Assim, percebe-se uma correlação entre a sociedade consumista e o montante de lixo.
Em segunda análise é preciso pontuar, que o Brasil está entre os maiores produtores de lixo plástico no mundo. Segundo o Fundo Mundial da Natureza o país ocupa a 4° posição no ranking, ainda assim, a reciclagem é feita em apenas cerca de ‘1,2% do que é produzido, um percentual bem abaixo da média mundial. O resultado é o acúmulo dos resíduos em locais inadequados, como os lixões, que apesar de terem sido proibidos pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, aprovada em 2010, ainda persistem em grande escala trazendo malefício para a saúde humana, como a proliferação de vetores de doenças e a poluição de solo e de rios.
É necessário, portanto, que medidas sejam tomadas para que haja um consumo consciente que não gere um acúmulo de lixo. Por isso o Ministério da Economia deve oferecer incentivos ficais para empresas que ofertarem produtos recicláveis e que promovam a reutilização desses, a fim de reduzir o descarte inadequado e excessivo. Ademais é imprescindível que haja uma parceria entre o Ministério da Educação com as escolas para que a temática do consumo consciente esteja na grade curricular do aluno, tanto da educação fundamental como no Ensino Médio, fazendo com que assim, seja possível reduzir, ou até mesmo extinguir os lixões a céu aberto.