O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 10/05/2020

O filme Wall-e retrata uma sociedade que produziu e descartou incorretamente uma enorme quantidade de lixo, assim, a Terra se tornou inabitável e os indivíduos foram obrigados a morar no espaço. Analogamente na realidade, o descomunal número de resíduos fabricados e consumidos se assemelha ao cenário da ficção, resultando em prejuízos ambientais. Portanto, cabe analisar as causas dessa problemática, atrelada à negligência estatal e ao exacerbado consumo da população.

Inicialmente, é indubitável a falha governamental na aplicação de leis. Nesse sentido, a Política Nacional de Resíduos Sólidos determinou que todos os municípios deveriam eliminar os lixões e implantar aterros sanitários, visto que são locais mais apropriados ao descarte de lixo. Entretanto, o prazo inicial foi adiado até 2020, porém, muitas cidades ainda não iniciaram o processo de troca, indicando que ocorrerá uma nova mudança da data limite. Dessa forma, percebe-se que a indiligente fiscalização e execução da lei impede o adequado destino dos resíduos sólidos.

Outrossim, cabe mencionar a responsabilidade dos indivíduos nessa problemática. Sob esse viés, o filósofo Lipovetsky afirma que se vive em uma sociedade marcada pelo hiperconsumo, em que a felicidade é associada ao descarte. Partindo desse pressuposto, vê-se que o consumo é usado como forma de aceitação social e status, logo, os produtos são rapidamente substituídos, visando a obtenção da mercadoria mais nova. Deste modo, o valor simbólico atribuído pelo corpo social aos produtos, impulsiona o consumismo e, consequentemente, o alto descarte de resíduos.

Nessa diretriz, infere-se que o governo e a sociedade impulsionam a problemática do lixo. Destarte, é de suma importância que o Estado, por meio do Poder Legislativo, crie leis que penalizem municípios que não cumpram a Política Nacional de Resíduos Sólidos dentro do prazo determinado, cobrando uma quantia estabelecida, a fim de efetivar a aplicação da norma. É necessário, também, que as prefeituras divulguem em meios de comunicação, como redes sociais, a quantidade de resíduos descartados pela população mensalmente, e a primordialidade de um menor consumo, visando incentivar a sustentabilidade e evitar um cenário semelhante ao de Wall-e.