O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 15/05/2020

Um dos filmes mais famosos de adolescente, “As patricinhas de Beverly Hills”, mostra a futilidade de jovens ricos e mimados os quais acham que a solução de qualquer problema é o consumo. Porém, fora das telas esse consumo excessivo traz consequências preocupantes ao planeta, como o excesso de lixo. Nessa perspectiva, observa-se uma ineficiência tanto a sociedade quanto o governo, contribuindo assim para o agravamento do problema. Desse modo, medidas sociais e governamentais são de extrema importância para mitigação do impasse.

Em primeira análise, é imprescindível dar ênfase no descaso da população em relação ao que consomem. Segundo os dados fornecidos pelo Indicador de Consumo Consciente (ICC), apenas 31% podem ser considerados consumidores conscientes. Visto que, os cidadãos sentem a necessidade de comprar determinados itens como premissa para se fazerem aceitos coletivamente, na maioria das vezes por influência da mídia, o que é explicado pelos sociólogos Theodor Adorno e Max Horkheimer através do termo indústria cultural. Consequentemente, os indivíduos passam a consumir sem se preocupar com o destino de todos os lixos descartados derivados do consumismo deles mesmos.

Sob outra perspectiva, é válido ressaltar que a coleta seletiva é extremamente importante para o tratamento do lixo. De acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), 79 milhões de toneladas de resíduos sólidos são gerados por ano, e em sua grande maioria não são devidamente separados, de modo que lixo eletrônico, orgânico e residencial são colocados todos no mesmo espaço. Nesse contexto, o poder dos governantes é peça chave, pois o recolhimento do lixo é dever do município, cabendo a ele a instauração da coleta seletiva.

Logo, é necessário que a prefeitura deve promova o descarte adequado do lixo. Isso pode ser feito instalando-se lixeiras específicas em pontos de grande circulação e caminhões que recolham, separadamente, lixo orgânico de lixo reciclável, rumo a gerar o menor impacto possível do que é jogado fora. Além disso, o Ministério da Educação em parcerias com as escolas devem despertar autonomia dos alunos por meio de rodas de discussão com psicólogos, exposição de documentários e teatros nos quais o senso crítico seja apurado. Isso fará com que eles se questionem antes de comprar e, assim, não consumam inconscientemente como a personagem do filme, tornando-se agentes de suas decisões e, ainda, ajudando a diminuir o lixo.