O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 16/05/2020
Milton Santos, grande geógrafo brasileiro, desenvolveu o conceito de Meio Técnico, processo no qual a produção material não era mais ditada pelo tempo da natureza, e sim pela capacidade técnica. Nesse contexto, a humanidade transformou-se numa máquina geradora, ora de tecnologias, ora de lixo. Dessa forma, infelizmente, o consumo exacerbado é a alavanca que leva o Brasil, país de grande mercado, a produzir grande quantidade de dejetos. Portanto, vale destacar as causas sociais e as consequências ambientais do consumismo e do acúmulo de lixo no país brasileiro.
A princípio, com a ascensão do modelo produtivo Toyotismo, o desejo de adquirir foi incentivado pelas grandes empresas, criando-se, assim, uma sociedade totalmente descontrolada quanto ao consumo. Nessa conjuntura, o conceito de “vontade”, criado por Arthur Schopenhauer, grande filósofo alemão, aplica-se à tal realidade atual, já que, para Arthur, esse sentimento humano não tem fim e é impossível de ser saciado. Desse modo, como o modelo consumista é regido pelo desejo e ânsia, se não houver conscientização sobre suas consequências, como o acúmulo de lixo, não haverá também um futuro sustentável e harmonioso.
Outrossim, é necessário analisar a realidade brasileira quanto à produção e ao descarte incorreto do lixo. Em consonância, o país brasileiro é um dos maiores geradores de detritos no mundo, pois, de acordo com uma análise da Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), a população tupiniquim rende cerca de 400 quilos de resíduos por habitante em um ano, e, desse total, somente 3% é reciclado. Logo, a nação decepciona quando essa realidade não a estimula a procurar por soluções ecológicas para mitigar este problema. Dessa maneira, a equação composta pelo modelo consumista acentuado, multiplicado pela falta de planos de reciclagem e adicionado à superprodução de lixo, resulta em uma preocupante incógnita que será vivida pelas gerações futuras.
Em suma, é mister que ações individuais e coletivas sejam colocadas em prática para sanar tal prejuízo. Por conseguinte, é dever da Abrelpe, com sua Política Nacional de Resíduos Sólidos, criar, a partir de verba federal, um programa no qual cada município será financiado e induzido a elaborar um Centro de Reciclagem. Esse projeto empregará profissionais concursados de limpeza para fazer o trabalho de seleção e transformação do lixo, e também, dessa maneira, produzirá novas matérias-primas para a cidade e renda para os trabalhadores. Ademais, as escolas também deverão conscientizar seus alunos quanto ao consumismo e ao descarte correto dos dejetos, a fim de que se desenvolva uma sociedade mais consciente.