O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 19/05/2020
Segundo o pensamento do antropólogo Claude Levi – Strauss, a interpretação adequada do coletivo ocorre por meio do entendimento das forças que estruturam a sociedade, como os eventos históricos e as relações sociais. De maneira análoga, em 1516, na obra ‘’Utopia’’, o escritor inglês Thomas More se destacou no campo literário ao narrar uma sociedade coesa e equitativa. Não obstante, no Brasil, percebe-se o contrário, um exemplo são os problemas causados pelo lixo, que tem como alicerce não somente o consumismo exagerado, mas também os sérios problemas de saúde. Sob esse aspecto, convém analisar o problema em questão.
Em primeira instância, vale destacar que as palavras presentes na bandeira do país- ordem e progresso, retratam os objetivos de uma nação. Para avançar, é mister que ocorram ações baseadas no bem-estar social. Contudo, segundo a visão de Lévi-Strauss, nota-se que a sociedade sofre com a coleta inadequada do lixo, uma vez que as compras desenfreadas geram resíduos sólidos poluentes. Consoante dados do G1, no primeiro semestre de 2020, o lixo foi considerado um problema global, haja vista que existem uma maior concentração nos centros urbanos. Desse modo, é evidenciada uma notória necessidade de medidas para mitigar a geração descontrolada do lixo, com foco em reduzir os sérios problemas de saúde.
Em segunda instância, faz-se mister ainda salientar que a falta de investimentos no saneamento básico é um impulsionador do problema. De acordo com Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas é característica da modernidade líquida vivida no século XXI. Nesse contexto, com o fortalecimento do capitalismo, o consumismo extraordinário da sociedade atual se transformou em um precursor por ineficácia. Nessa conjuntura, é indubitável que ações antrópicas dificultam a coleta do lixo. Diante de tal, a situação expõe um lúgubre cenário no país, medidas precisam ser tomadas para que haja harmonia social entre o homem e o meio ambiente.
Infere-se, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem a construção de um mundo melhor. Desse modo, é peremptório buscar meios de mitigação desse mal. Para isso, cabe ao Estado, em parceria com as prefeituras locais, promover o investimento em projetos que realizem a coleta adequada do lixo, no ambiente domiciliar e urbano, através de verbas governamentais. Ainda cabe a mídia o papel de promover campanhas de incentivos fomentando os efeitos do consumismo e a importância de um espaço saudável, para que o cidadão crie o sentimento de responsabilidade pelo meio ambiente. Assim, a partir dessas ações, será possível voltar a Utopia e garantir uma visão inovadora para o nosso cotidiano.