O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 26/05/2020

De acordo com o artigo 225 da Constituição Federal de 1988, todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. Entretanto, esse princípio não é exercido em sua totalidade, haja vista os problemas referentes ao descarte excessivo de lixo no Brasil. Diante disso, dois aspectos fazem-se relevantes: a obsolescência programada, bem como a poluição atmosférica. Por isso, medidas atitudinais são necessárias para reverter o cenário atual.

De início, é válido ressaltar que a obsolescência programa é o principal fator para o crescimento de uma população consumista. Nesse contexto, de acordo com o documentário " Story off stuff " o sistema capitalista preconiza a obsolescência programada e percebida, ou seja, reduz a vida útil de um produto para aumentar a compra de versões mais recentes. Sob tal ótica, nota-se que tal lógica contribui para o problema em questão, uma vez que a troca excessiva de aparelhos, como celulares, contribui para o descarte excessivo de lixo. Isso ocorre devido ao desejo que a sociedade brasileira apresenta em acompanhar as inovações tecnológicas, querendo sempre ter o aparelho do ano. Consequentemente, a constante aquisição de tecnologias é extremamente prejudicial, principalmente, quando o descarte desses objetos é feito de maneira incorreta, sendo prejudiciais a saúde devido a presença de metais pesados, como o silício, caracterizado por intoxicações e doenças, como a silicose.

Ademais, é válido salientar que o descarte incorreto de lixo acaba ocasionando fatores negativos ao meio ambiente, como a poluição atmosférica. Nessa perspectiva, de acordo com o químico Antoine Lavoisier, na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Nesse viés, percebe-se como tal lógica constitui uma causa para o problema em questão, uma vez que a grande produção de lixo na população brasileira acaba excedendo o quanto o ambiente suporta. Isso ocorre devido ao excesso de resíduos sólidos depositados em locais inapropriados, como os lixões à céu aberto. Consequentemente, tais alternativas favorecem para a poluição atmosférica, visto que a decomposição de matéria orgânica libera gás metano, substância que tira a proteção do planeta Terra da radiação ultravioleta devido a degradação da camada de ozônio.

Destarte, é necessária uma cooperação mútua entre Estado e sociedade. Para que isso ocorra, cabe ao Ministério do Meio Ambiente proporcionar melhorias no descarte de lixo, por meio de investimentos em aterros sanitários qualificados, a fim de reduzir os lixões à céu aberto e seus problemas, como a poluição. Ademais, o Governo Federal deve ampliar as campanhas que sejam submetidas às mídias, abordando a importância da diminuição do consumo e a forma correta de descartar os aparelhos eletrônicos. Com isso, o direito previsto no texto constitucional será aplicado de forma consistente.