O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 28/05/2020

A Revolução Industrial, iniciada no século XIX, proporcionou o surgimento de novos padrões sociais e contribuiu para a formação de outros, anteriormente estabelecidos. Entretanto, apesar dos incontáveis benefícios, trouxe consigo um cresencente consumismo em sociedade, contribuindo para um maior descarte e acúmulo de lixo no planeta, os quais são resultados de uma cultura consumista, que por consequência estabelece uma demasiada produção de lixo.

Em primeiro plano, destacam-se hábitos de consumo exagerado como uma das causas do problema. A esse respeito, no livro “Sociedade do Espetáculo” do sociólogo Guy Debord, é explicitado sua teoria de que todas as pessoas vivem suas vidas como se fossem uma constante disputa entre elas, tentando sempre darem o melhor show uma para as outras. Sob esse viés, a teoria se comprova correta quando comparada aos altos padrões de consumo impostos pela sociedade. Com a maior exposição trazida pela internet e uma competitividade acirrada entre os indivíduos, agravada pela globalização, espera-se sempre um alto posto no ranking de “status social”, seja na compra de um novo aparelho celular ou de um carro do ano. Dessa forma, eclodindo em um consumo desenfreado e uma maior alienação da sociedade.

Por conseguinte, presencia-se uma crescente produção de lixo como um dos impulsionadores do impasse. Nesse ínterim, pesquisas realizadas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia Estatística) revelou que a produção de lixo por pessoa a cada dia aumentou de um quilo para três quilos nós anos de 2015 a 2018. Isso acontece, devido ao consumo exagerado de produtos sem necessidade, causando um maior impacto ambiental em todo o planeta, como o agravamento do aquecimento global. Contudo, tal problemática é dependente da mudanças de costumes sociais, como a redução do consumo desnecessário e uma consciência ambiental para com a gradação de lixo.

Portanto, é mister que o Estado tome providências que amenize o quadro. O Ministério da Educação e Cultura (MEC) crie, por meio de verbas governamentais, palestras e simpósios nas escolas, os quais elucidem as consequências de um consumismo desenfreado para o planeta, com objetivo de promover a criticidade e o respeito de forma contínua ao ambiente e desmistificar o consumo como forma de status social em sociedade, visando construir indivíduos com um caráter mais crítico e menos alienado. Dessas medidas, espera-se mudanças no cenário brasileiro.