O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 11/06/2020

“Lixo Extraordinário” é um documentário, gravado no Rio de Janeiro, que mostra como transformar o lixo em arte, com o artista plástico Vik Muniz. Todavia, mesmo que aborde uma visão alternativa sobre o que fazer com o lixo, ele evidencia uma problemática crescente, o grande acúmulo deste, o qual afeta o solo, atmosfera e a sustentabilidade do mundo. Dessa forma, faz-se imperioso entender contribuintes para tal cenário, como o consumismo e a grande população brasileira.

Primeiramente, o consumo exagerado favorece o acúmulo de descarte de materiais. Por volta dos anos 70, com o início da Terceira Revolução Industrial, novos conceitos incorporaram-se na forma de produção: ciclo de obsolescência programada e diversidade. Com isso, os mesmos produtos tornaram-se variáveis, com diferentes modelos, e os bens de consumo duráveis passaram a ter vida útil. Tais mudanças tornaram-se estratégias para estimular o consumo, as quais obtiveram êxito. Consequentemente, à medida em que os indivíduos são influenciados e compram mais do que o necessário, aumenta a produção de lixo - a qual passara a ganhar destaque como resultado da nova revolução industrial. Logo, é notório que o consumo consciente seria capaz de amenizar essa questão.

Ademais, o fato do Brasil ser um país populoso favorece a ocorrência exacerbada de rejeitos. Ele, a partir de 1960, intensificou o processo de transição demográfica - melhorias na saúde e saneamento básico favoreceram o crescimento populacional positivo com aumento da expectativa de vida e diminuição da mortalidade infantil. Como resultado, a população aumentou, tornando-o, hoje, um país populoso, característica que propícia o acréscimo de materiais básicos consumidos. Desse jeito, há maior produção de lixo, a qual torna-se um problema a ser combatido, à medida em que a forma de descarte não é orientada. Corrobora tal fato, a Teoria Neomalthusiana, a qual relaciona o crescimento populacional com os problemas enfrentados em uma sociedade. Nota-se, pois, que o número de habitantes se relaciona com a problemática.

Medidas, portanto, para minimizar a questão do consumo exagerado e o número de indivíduos no país na produção de lixo, são necessárias. Assim, as escolas devem mostrar o impacto do consumismo no planeta, mediante palestras interdisciplinares. Nelas, os professores abordarão as estratégias usadas pelas empresas para conquistá-los, com o afã de formarem futuros consumidores conscientes. Além disso, o governo necessita estimular e ampliar as coletas seletivas, por meio de propagandas televisivas e aumento desse tipo de coleta no país - assim, haverá melhor destino do lixo descartado. Dessa maneira, o problema do lixo não será tão evidente como no documentário “Lixo Extraordinário”.