O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 02/06/2020
Em um contexto histórico, é fato que a urbanização e industrialização brasileira, ocorrida em meados de 1930, alavancou a economia do país. Entretanto, o modelo de produção adotado, em concomitância à influência midiática, resultou como consequência a produção excessiva de lixo e a falta de um sistema correto de destinação para ele. Na contemporaneidade, em decorrência dessa problemática histórica, a gestão atual do lixo ainda é observada, gerando, assim, prejuízos ambientais e desperdiçando potencialidades socioeconômicas, essa situação é agravada pela cultura do consumismo cada vez mais evidente na sociedade brasileira.
Em primeiro plano, é possível identificar, na contemporaneidade, o perfil consumista de grande parte da sociedade. O sociólogo Karl Marx, em sua obra, apresenta o conceito de “Fetichismo de Mercadoria” - é atribuído à mercadoria uma supervalorização. Dessa forma, o indivíduo, através da manipulação midiática consome em excesso por não possuir senso crítico. Em adição, a obsolescência programada - produção de mercadorias não duráveis, com o intuito de estimular a compra de um novo produto - contribui de maneira significativa para o agravamento da cultura de consumo. Essas práticas provocam a saturação do sistema de gestão de resíduos.
Em segundo plano, as consequências dessa produção excessiva de lixo são evidentes. O filósofo utilitarista Hans Jonas, propõe em sua obra que a sociedade deve ser ligada pela ética da responsabilidade - ideia de não se preocupar apenas com as consequências imediatas, mas também com as de longo prazo. Essa ideia aplica-se à temática, visto que a contaminação do solo e lençóis freáticos e a emissão de gases que agravam o efeito estufa - gás metano -, são prejuízos observados no âmbito ambiental e que, caso não sejam combatidos, podem se tornar irreversíveis no futuro. Além disso, potenciais socioeconômicos são desperdiçados, uma vez que a logística reversa - reaproveitamento de matéria prima industrial - é de grande valia para economia de recursos naturais e redução de resíduo produzido pelas indústrias.
Urge, portanto, que o Governo Federal, mediante incentivos ficais, apresente a prática da logística reversa às empresas - divulgando a elas os benefícios econômicos e ambientais que essa prática fornece. Ademais, as escolas devem promover, por meio de palestras - englobando a comunidade escolar e familiar - a abordagem da temática do consumismo, com o intuito de formar cidadãos com senso crítico e capazes de agir com consciência no dia a dia. Com essas medidas será possível aplicar a ética da responsabilidade proposta pelo filósofo e combater a histórica problemática do consumismo.