O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 04/06/2020
O lixo das condições ideais a todos
Desde 2010 está em vigor a chamada “Lei do Lixo”, a qual institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Esta constatação legislativa determina, na prática, que todo resíduo doméstico ou industrial deve ser processado apropriadamente antes da destinação final. Apesar da existência de uma precaução constitucional, a hodierna realidade brasileira em relação ao lixo não é a ideal e muito menos apropriada para a população. Além de provocar danos ao meio ambiente, acaba por afetar populações mais expostas e sujeitas a severos prejuízos com o acúmulo dos detritos descartados.
É indubitável o fato de que existe a necessidade de obtenção de elementos provenientes do meio ambiente para a produção industrial. No entanto, a demanda atual é excessiva e insustentável em longo prazo, caso os padrões sejam mantidos. De acordo com o liberal inglês Adam Smith: “O consumo é a única finalidade e o único propósito de toda produção”. Portanto, enquanto a sociedade tiver o interesse em determinado fim, os responsáveis pela sua confecção estarão igualmente interessados em servir tal aclamação, independente do quão viável seja esta ação no âmbito da sustentabilidade, e é a partir desta questão em que se observa a dificuldade de preservação ambiental, visto que essa se daria através da diminuição da produção e consumo.
Consequentemente, está relacionado a este impasse a poluição do ambiente que acarreta em diversos prejuízos a certas populações onde as condições de saneamento básico e sistemas de encanamento de estações de água tratada não existem. Enchentes causadas pelo entupimento de bueiros, contaminação de água e solo por chorume e o aparecimento de animais que transmitem doenças aos humanos (como os ratos) são alguns exemplos de problemas que as comunidades mais marginalizadas da sociedade sofrem. Logo, existe um grande fator social na questão do lixo, à medida que refletem diretamente na saúde da população.
A fim de diminui o extrativismo vegetal e destinar de modo mais seguro e saudável o lixo das residências, é imprescindível uma reforma legislativa desta problemática. Além de aprovarem-se no Congresso Nacional, leis que estabeleçam o limite de exploração por parte das indústrias, é preciso construir aterros sanitários que substituam os lixões a céu aberto, medida que deve ser adotada com urgência. Por meio de verbas públicas, o Ministério do Meio Ambiente deve administrar e encaminhar tais projetos aos governos estaduais, de modo que estes efetuem as devidas reformas. Assim, é possível que o lixo tenha sua biodegradação sem que isto afete diretamente a população, e, ainda, garantir que diminuam os prejuízos das regiões sem saneamento básico.