O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 05/06/2020
Na animação da Disney, “Wall-e”, toda a humanidade sai do planeta Terra diante da impossibilidade de continuar vivendo em meio a enorme quantidade de lixo que estava sobre a superfície terrestre e passa e morar em uma nave no espaço, enquanto isso, um robô fica na Terra para reciclar todo este lixo. Esta animação demonstra o quanto a produção de lixo vem sendo aumentada pela população mundial. Tal cenário perpassa o universo cinematográfico e pode ser verificado na realidade da sociedade brasileira, que vem aumentando a produção de seu lixo à medida que o consumismo é incentivado.
Para o sociólogo contemporâneo, Zygmunt Bauman, na Modernidade Líquida, na qual há a colonização da esfera pública (do cidadão) pela esfera privada (do indivíduo), as pessoas passam a ser cidadãs a partir do consumo. Com isso, pode-se verificar que, na sociedade capitalista atual, há a criação de um imaginário de que, através do consumo exagerado de produtos - muitas vezes não necessários –, as pessoas passarão a se sentir bem e terão sua identidade como cidadãos reconhecida. A ideia do consumo exagerado de produtos é bastante difundida pela mídia que, através de propagandas, passa a ideia de que determinados produtos são ultrapassados, quando muitas vezes eles possuem poucos meses de uso, estimulando dessa forma a aquisição exagerada de bens. Contudo, dentre as consequências que esse estímulo à compra proporciona, tem-se o descarte muito rápido dos produtos que são considerados ultrapassados, aumentando mais ainda a quantidade de lixo que é produzida pela população. E na maioria dos casos, no Brasil, este descarte é feito de maneira inadequada. Muitas cidades do território nacional não dispõem de uma coleta seletiva efetiva do lixo, o qual pode ser destinado para lixões a céu aberto – que deveriam ser extintos desde 2014-, nesse caso o chorume, líquido produzido pela decomposição da matéria orgânica, pode contaminar as águas do subsolo, a vegetação ao redor do lixão e causar danos irreparáveis ao meio ambiente. Portanto, se faz necessária a intervenção conjunta do Governo Federal, Estadual e Municipal, para garantir um tratamento adequado ao lixo que é produzido, através da ampliação da fiscalização objetivando o efetivação do fechamento dos lixões e abertura de aterros sanitários, em conformidade com o Plano de Resíduos sólidos, da ampliação da coleta seletiva e instituição de decretos que tornam este tipo de coleta obrigatório.