O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 08/06/2020

O consumismo é a compra excessiva de diferentes produtos, muitas vezes em atos compulsivos e sem uma necessidade real. Essa prática é uma crescente no Brasil, mas teve origens a partir da segunda metade do século XX, com a invenção e diversificação de bens de consumo unido a profissionalização das áreas da publicidade e do design, bem expressas na variedade de propagandas das revistas ilustradas da época. Nessa conjuntura, o consumismo leva a produção de elevada quantidade de lixo, o que causa graves danos ambientes e, no entanto, nem sempre são pensados em correlação pela sociedade e pelas autoridades públicas.

Sob esse prisma, o sistema econômico atual, o capitalismo, tem como principal objetivo o lucro, para tanto, o mercado consumidor é um importante apêndice e é voltado a ele muitos dos esforços e estratégias de vendas, como a publicidade e o marketing, gerando, por consequência, uma infinidade de desejos e supostas necessidades. Além disso, a obsolescência programa, que diz respeito a produção de produtos com uma curta durabilidade de vida, colabora para rápida inutilidade do material. Também, pode-se citar os constantes avanços tecnológicos, que criam e recriam, aumentando o leque de opções. Em suma, a economia está fundamentada em preceitos que contribuem para o aumento do consumismo e da produção de lixo, uma vez que se incentiva a aquisição de novos produtos e a transformação do “velho” em matéria de descarte. No entanto, apesar da forte relação causal entre o consumismo e o lixo, tende-se a afastar ambos em um movimento de falta de consciência e de interesses.

Assim, na medida em que consome-se o novo e descarta-se o velho, o lixo se acumula. Lavoisier, o pai da química ocidental, afirmava que “nada se cria, tudo se transforma”, entretanto, esquece-se dessa máxima e faz-se lixo do que poderia ser reciclado. Dessa forma, com uma deficitária coleta seletiva, toneladas de materiais são descartados incorretamente, inclusive o lixo eletrônico. O lixo, então, polui as cidades, os mares, rios e aquíferos, tanto em forma sólida, como líquida e gasosa, advindo das fábricas responsáveis pelos tais produtos desejados. Por consequência, hoje, encontra-se lixo em muitos animais marinhos, por exemplo.

Á vista disso, é necessário uma mudança de hábito em relação ao consumo e à gerência do lixo, tornado tais atos mais conscientes. Para isso, faz-se relevante o investimento do Estado em projetos que visem a educação, em ações públicas e em parcerias com projetos privados, como o Projeto Tamar, que educa sobre a consequência do lixo na vida marinha. Pois só por meio de transformações referentes à mentalidade, ao imaginário e à educação que as atitudes serão outras.