O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 12/06/2020

No contexto em que se instaurou a Revolução Técnico-Científico-Informacional, na segunda meta do século XX, tornou-se um meio essencial para descobertas e evoluções no campo tecnológico. Nesse sentido, os aparelhos eletrônicos, tais como computadores, televisores e celulares, se tornaram essenciais para o dia a dia da sociedade contemporânea, seja para fins trabalhistas ou sociais. Entretanto, o consumo excessivo dos setores empresarias e sociais faz com que esses aparelhos fossem utilizados de formada errada e, infelizmente, mal descartados na natureza.

Vale ressaltar que o setor empresarial configura-se como agente primordial do consumo excessivo e, consequentemente, do aumento significativo do lixo eletrônico. Isso porque as empresas detêm de um grande poder de persuasão, por meio de propagandas e, em mídias, fornecem uma visão utópica de que a aquisição desses produtos gerará prazeres e o prestígio social, baseado, assim, no viés capitalista. Nesse contexto, a responsabilidade quanto ao reuso e o descarte do lixo eletrônico torna-se essencial e não uma escolha, pois problemas ambientais, como a concentração de gases poluentes na atmosfera devido à decomposição desses materiais, por exemplo, são questões que necessitam de ações interventivas para a sua redução. Dessa forma, o setor empresarial, assim como tem caráter promissor na produção de lixo eletrônico, deve intervir para que não seja prejudicial para a sociedade e para o meio ambiente.

Outrossim, o âmbito social atua também como coadjuvante na produção em excesso do lixo de aparelhos eletrônicos. Diante disso, o sociólogo Theodor Adorno propôs o conceito de “Indústria Cultural”, em que relaciona a cultura popular a uma indústria que produz uma sociedade baseada em bens culturais padronizados e sem o senso crítico. Assim, o consumo exacerbado em relação aos aparelhos eletrônicos faz com que não sejam aproveitados da melhor forma possível e descartados, assim, que outro melhor surja. Dessa forma, cria um ciclo vicioso, em que consome muito até surgir outro, mas não aproveita ou reutiliza aquilo que já foi usado. Logo, o âmbito social colabora para o aumento do lixo na sociedade.

Portanto, o Governo deve intervir com políticas públicas para a redução do acúmulo de lixo eletrônico, por meio de ações estruturais, atuando na reciclagem e no reuso desses materiais. Nesse caso, buscar novas

alternativas de materiais para a substituição dos que prejudicam o meio ambiente e que possibilitem o reaproveitamento configura-se como uma atitude essencial, a fim de uma redução dos aparelhos eletrônicos descartados na sociedade contemporânea. Além disso, a sociedade deve cumprir com tais medidas e incentivar os outros a fazerem o mesmo, por meio das redes sociais, por exemplo, para que o âmbito social também atue no combate a essa mazela social.