O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 19/06/2020
A Revolução Industrial, iniciada no século XVIII, marcou o início da produção em larga escala visando o capital, mas, com esse avanço, instigou-se a prática do consumo excessivo e, como consequência, houve o aumento na quantidade de lixo produzido. Desta forma, tais costumes não foram combatidos adequadamente, mas sim incentivados, tornando-se algumas das maiores problemáticas do século XXI.
A priori, vale salientar que uma pesquisa feita em 2012 constatou que, em média, cada brasileiro produz 383 quilogramas de lixo por ano. Diante disso, percebe-se que esse alarmante número representa o consumo exacerbado da população, esse quadro se dá, principalmente, por causa de um fenômeno chamado fetichismo da mercadoria. Na obra “O Capital”, de Karl Marx, o sociólogo define o fetichismo da mercadoria com sendo a associação da mercadoria à felicidade, além de ser intrínseco à produção de bens, já que o processo de produção se autonomiza de acordo com a vontade do ser humano, ou seja, a compra é incentivada pelas indústrias e é vista como prazer pelo povo, o que perpetua o ciclo do consumismo.
Ademais, em 2018, constatou-se que apenas 8% das cidades brasileiras possuem coleta seletiva, um dos melhores métodos de descarte de lixo. Sendo assim, percebe-se a negligência governamental em relação ao destino dos resíduos sólidos produzidos no Brasil, uma vez possui escassas políticas de reciclagem e separação do lixo. Além disso, esses detritos, em sua maioria, são levados para aterros sanitários ou lixões, métodos com imenso impacto ambiental.
Portanto, é de suma importância que o Governo Federal, em conjunto com o Ministério do Meio Ambiente, oriente a população sobre as consequências do consumismo, tornando-os conscientes sobre o fetichismo. Também, é de grande valia o esforço desses órgãos públicos para melhorar os métodos de descarte de lixo, por meio da criação e enrijecimento de leis para reciclagem e separação de lixo, assim, aniquilando o descarte indevido dos detritos.