O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 26/11/2020
Segundo o filósofo francês Sartre, “o ser humano é livre e responsável; cabe a ele escolher seu modo de agir”. Desse modo, quando observamos o problema de uma sociedade consumista e o excesso da geração de lixo, percebemos que escolhas errôneas são tomadas em determinados setores, o que contribui para a persistência desse imbróglio. Diante disso, sobressaem-se dois agravantes: a vulnerabilidade de populações próximas aos lixões formados e o esgotamento dos recursos naturais, que prejudicam as gerações futuras.
Em primeira análise, um entrave é a mentalidade de grande parte da população, que age como se os resíduos deixassem de existir após serem levados pelo caminhão de lixo e, posteriormente, acomodados nos lixões. De fato, tal atitude se relaciona ao pensamento do filósofo alemão Goethe: “não há nada mais perigoso que a ignorância em ação”. Um exemplo disso é o levantamento realizado pelo Portal Saneamento Básico, o qual aponta que mesmo com a proibição de lixões, essa estrutura ainda está presente em mais da metade dos municípios brasileiros. Logo, há a acumulação de lixo de forma imprópia, que atrai vetores causadores de doenças, além de poluir o solo e os lençóis freáticos, responsáveis pelo adoecimento das pessoas que vivem próximas a esse ambiente.
Ademais, outro desafio a enfrentar é a inobservância estatal, uma vez que o Governo nem sempre aprova políticas públicas que proíbam a exploração descontrolada de recursos naturais, que serão usados como matéria prima na produção de bens de consumo, bem como a fiscalização de áreas extrativistas. Apesar disso, a Constituição Federal garante que todos, incluindo as gerações futuras, têm direito ao meio ambiente equilibrado. Todavia, a exaustão dos minerais, como a extração ilegal de ouro, e a derrubada de árvores sem autorização do órgão competente, dificultam a execução do que está determinado na Carta Magna do país. E mais ainda, esse material sem registro será transformado em bens que serão comprados e descartados em lixões, agravando o problema de saúde pública em vários locais.
Portanto, para mitigar os efeitos da geração de lixo na sociedade de consumo, é irrefutável que mudanças devem ocorrer. Nesse sentido, o Governo Federal deve criar, por meio de um projeto de lei, um programa de fiscalização mais rígido para acabar com os garimpos e madereiras ilegais. Em adição, o Ministério do Meio Ambiente deve exigir dos Governos Estaduais a extinção dos lixões, como definido em lei. Sendo assim, essa questão será resolvida na sociedade brasileira e o ser humano passará a agir com responsabilidade, como afirmou Sartre.