O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 21/06/2020
A Revolução Industrial foi caracterizada pelo desenvolvimento dos mecanismos de produção e a consolidação do capitalismo. Sob esse viés, encaixa-se o conceito de “fetichismo da mercadoria”, criado pelo sociólogo Karl Marx, que exprime o valor sentimental atribuído pelos consumidores, aos produtos consumidos, comportamento incentivado pelo atual sistema. Diante disso, constata-se que o estímulo ao consumo impulsiona a produção de lixo e sua redução é imprescindível para a sociedade. No entanto, dois são os empecilhos: negligência estatal e aquisição exacerbada de mercadorias.
Em primeiro lugar, é possível constatar que a negligência estatal impede o desenvolvimento de políticas públicas que visam a diminuição do lixo. Segundo dados da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, em 2018, foram geradas 79 milhões de toneladas de resíduos sólidos no Brasil e 6,3 milhões de toneladas não foram recolhidos. Além disso, 29,5 milhões de toneladas de detritos urbanos seguiram para lixões ou aterros controlados, que não contam com um conjunto de sistemas e medidas necessários para proteger a saúde das pessoas e o meio ambiente contra danos e degradações. Logo, falta infraestrutura para a destinação adequada desses resíduos. Nesse contexto, essa situação precisa ser alterada.
Em segundo lugar, constata-se que o consumismo pode ser relacionado com diversos problemas socioambientais causados pela acentuada produção de detritos. Outrossim, a aquisição de produtos passou a ser associada à felicidade e à inserção nos meios sociais. Conforme informações da Organização das Nações Unidas, o plástico, presente na maior parte das embalagens consumidas diariamente, leva pelo menos 450 anos para se decompor e desaparecer do meio ambiente. Do mesmo modo, estima-se que pelo menos 8 milhões de toneladas de lixo plástico vão parar nos mares anualmente, agentes do sufocamento de recifes de corais e uma ameaça à fauna marinha. Nessa perspectiva, esse quadro precisa ser revertido.
Portanto, urge que a displicência por parte do Estado em relação ao lixo e o abundante consumo sejam combatidos na prática efetiva. Cabe ao Ministério do Meio Ambiente essa função, por intermédio do investimento na criação de aterros sanitários devidamente preparados para o recebimento do lixo e na democratização da coleta seletiva; com o auxílio de empresas privadas para o desenvolvimento de campanhas que estimulem o consumo consciente e a elaboração de embalagens construídas a partir de materiais recicláveis. Essas medidas, caso feitas em conjunto, podem amenizar os problemas causados pelos resíduos no Brasil.