O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 26/06/2020

Ao descortinar do século XX, a contemporaneidade, marcada pelo advento do viés tecnológico, o remodelamento das relações interpessoais e o avanço da globalização, permitiram o crescimento dos centros urbanos e da expansão do capitalismo. Entretanto, a modernidade trouxe consigo entraves que promovem a produção excessiva de lixo e formação de uma sociedade consumista.

A priori, no Brasil, 188 toneladas de resíduos sólidos são coletados por dia e apenas 12% desse lixo é destinado para a reciclagem. Partindo desse viés, a negligencia estatal é um dos principais desafios  enfrentados, visto que o descaso governamental com o destino adequado para o lixo, o precário sistema de coleta seletiva e a falta de apoio e investimento em políticas de reciclagem, geram cada vez mais a sobrecarga desses sistemas e o excesso de lixo no país

Ademais, consumismo é um estilo de vida orientado por uma crescente propensão ao consumo de bens ou serviços, em geral supérfluos, em razão do seu significado simbólico. De acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, a sociedade liquida, definida a partir das relações pessoais efêmeras e a angustiante procura pela felicidade nos bens materiais, é resultado de uma alienação do sistema capitalista, que produz cada vez mais visando a obtenção de lucro. Diante disso, a produção excessiva de lixo está intimamente ligada ao consumo exacerbado pela população.

Portanto, o desenvolvimento sustentável é um conceito sistêmico que se traduz num modelo de desenvolvimento global que incorpora os aspectos de um sistema de consumo em massa no qual visa a máxima preocupação com a natureza . Sendo assim, a fim de reduzir a produção de lixo e garantir o destino adequado para os resíduos sólidos, o Estado deve sobretudo por meio de verbas públicas investir em um sistema de coleta seletiva, para que seja de fato um processo efetivo e atinja a toda população, pensando em um projeto de desenvolvimento sustentável para o país. Além disso, é de suma importância que o governo promova campanhas de conscientização a respeito das consequências socioambientais causadas pelo consumo em excesso, por meio dos conteúdos midiáticos, para que possa ascender um número máximo de pessoas, e assim tenha influência positiva na sociedade.