O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 30/06/2020

Surgiu nos Estados Unidos, durante o século XVIII, um modelo de comportamento denominado “American way of life”, que vendia a ideia de felicidade a partir do consumo exacerbado e alcançou praticamente todo o mundo com o passar dos anos. Assim, observa-se que o consumismo possui raízes históricas e perdura até hoje, contribuindo, em conjunto com a infraestrutura precária de tratamento do lixo no Brasil, com o gradativo acúmulo de resíduos em locais inadequados. Desse modo, o descarte irresponsável desses produtos é capaz de provocar danos ambientais, sanitários e sociais, sendo necessárias medidas urgentes que modifiquem esse quadro.

Nesse aspecto, Jean Baudrillard, filósofo francês, afirma em sua obra “Sociedade do Consumo” que os indivíduos adquirem tantos produtos fúteis de forma desenfreada com o intuito de se imporem, se relacionarem melhor e até mesmo se conhecerem. Logo, o consumo passa a ser realizado para, principalmente, se manter um “status” e não mais para suprir necessidades, havendo um grande excesso de dejetos resultantes de compras imprudentes. Somado a isso, praticamente todo o lixo brasileiro ainda é destinado aos lixões a céu aberto, que possuem infraestrutura extremamente precária e não realizam o tratamento desses resíduos.

Dessa forma, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) é uma lei de 2010 que estabelecia que todos os lixões fossem fechados até o ano de 2014 e que todo o lixo fosse tratado em aterros sanitários. No entanto, ela não se cumpriu e esses destinos de rejeitos a céu aberto espalhados pelo país continuam a contaminar o solo, os recursos hídricos e a liberar gases de efeito estufa, como o metano. Além disso, esses lixões contribuem com o desenvolvimento de vetores de doenças, como ratos e moscas, que afetam sobretudo a população que se encontra mais próxima desses locais e possui condições financeiras mais precárias.

Portanto, com o objetivo de destruir as raízes do “American way of life” e combater esse consumo irrefletido, ONGs ligadas às questões socioambientais devem promover campanhas que desestimulem o consumismo e explicitem seus danos ambientais, sociais e sanitários. Nesse aspecto, elas devem ser veiculadas em todos os meios de comunicação, em horários nobres e em âmbito nacional, a fim de se atingir toda a população brasileira. Ademais, com vistas a realizar uma destinação adequada do lixo, é necessário que o Ministério das Cidades, em parceria com os estados e municípios, construa aterros sanitários compartilhados, por meio da divisão dos custos. Assim, o meio ambiente e a população poderão prosperar de forma saudável e conjunta.