O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 29/06/2020

Segundo o filósofo francês contemporâneo Jean Baudrillard, vive-se, na atualidade, a chamada Sociedade de Consumo caracterizada pelo fato de que todas as relações e ações humanas são mediadas pela aquisição de bens, de produtos ou de serviços. Esse contexto é um dos principais fatores para a crise da produção excessiva de lixo no Brasil atual intensificada, por sua vez, pela ausência de uma infraestrutura adequada para a destinação desses resíduos.

Esse cenário de consumo descontrolado é uma herança histórica da revolução industrial e, posteriormente, da popularização do “American way of life”. Iniciada no século XVIII na Inglaterra, esse levante burguês se desdobrou em todo o mundo fazendo com que houvesse um excedente produtivo sem, na verdade, possuir consumidores suficientes. Além disso, a partir da década de 1950 nos Estados Unidos e da popularização do cinema norte-americano, observa-se a propagação dos padrões de vida e de consumo da população americana como uma maneira de dar destino ou de escoar esse excesso de produção. No cenário brasileiro atual, especificamente, isso é piorado pela falta de aterros sanitários suficientes para a destinação final desses resíduos, fazendo com que a maior parte do lixo no Brasil seja levada para lixões, contrariando, assim, a Política Nacional de Resíduos Sólidos de 2010.

Consequentemente, percebe-se, uma série de prejuízos ambientais a partir da formação e da destinação descontrolada do lixo no Brasil. Inicialmente, a produção de chorume pela matéria orgânica presente nesses produtos pode contaminar não apenas o solo, mas também os cursos d’água a partir da infiltração no lençol freático. Adicionalmente, presencia-se a emissão de gases ligados ao efeito estufa a exemplo do metano, acarretando também a crise climática atual. No campo social, por sua vez, verifica-se que há uma população economicamente vulnerável dependente do lixo para sobreviver e também mais provável de ser atingida por doenças infecciosas carregadas por vetores atraídos pelos dejetos a céu aberto. Aumenta, por exemplo, a incidência de doenças como cólera e dengue a partir do momento em que esses resíduos não encontram seu destino adequado.

Portanto, com vistas a desconstruir e desincentivar o consumismo entre os brasileiros na contemporaneidade, é fundamental que Ministério do Meio Ambiente e ONG’s ligadas à questão socioambiental organizem campanhas publicitárias, especificamente vídeos educativos, animações inteligentes, documentários em linguagem direta e envolvente, que expliquem os danos do consumismo e as estratégias utilizadas para reduzir o consumo e para reaproveitar ou, até mesmo, para reciclar esses materiais. Esse projeto será veiculado nos principais meios de comunicação (expresso e midiático), informando e problematizando os problemas causados pelo consumo exacerbado no Brasil.