O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 02/07/2020

A Constituição Cidadã de 1988 assegura aos cidadãos o direito de possuírem um meio ambiente ‘’ecologicamente equilibrado’’, cabendo tanto ao Estado como à coletividade atuarem na preservação e proteção para as presentes e futuras gerações. Apesar da Legislação brasileira operar na esfera ambiental, é clarividente que as regulamentações, às quais visam proteger o meio ambiente são infligidas pela sociedade consumista. Indubitavelmente, essa negligência está intrinsecamente ligada à falta de consciência ambiental, assim como o consumismo exacerbado, estimulado pelo sistema capitalista.

Em primeiro lugar, é notório que grande parte da sociedade brasileira não possui consciência ambiental, pois o atual modo de produção alienador interfere no âmbito de racionalizar o consumo. Acerca dessa premissa, é lícito referenciar o documentário ‘‘Oceanos de plástico’’, no qual evidencia as graves consequências ofertadas pelo descarte inadequado de resíduos sólidos sobre os mares. Além disso, o consumismo desenfreado atrelado ao excluo irregular de produtos, provocam fortes danos aos ecossistemas, exemplo disso é a biomagnificação que provoca a acumulação de resíduos sólidos, não biodegradáveis, no organismo dos animais. Isso demonstra, portanto, a carência de racionalidade tanto no consumo, como no reaproveitamento de itens que são descartados.

Ademais, é fulcral salientar a cultura do hiperconsumo, uma vez que o capitalismo informacional proporcionou a manipulação do consumidor pelo fornecedor, por meio da mídia. A esse respeito, conforme é retratado no livro ‘‘Da Revolução Industrial ao Imperialismo’’, o historiador Eric Hobsbawm ressalta que, a partir do século XIX, a Revolução Industrial, com o objetivo de suprir a demanda de produção, utilizou-se de recursos que induzissem a população ao consumo. Seguindo essa linha de raciocínio, no contexto atual, as ferramentas midiáticas são utilizadas como meio para estimular as pessoas ao consumismo. Além disso, a obsolescência programada, isto é, o disfuncionamento do produto, é outra ferramenta utilizada pelo mercado, visando o consumo frequente e irracional pela sociedade. Nesse sentido, o capitalismo é um forte vilão nos impasses provocados pelo lixo.

Portanto, é irrefutável que as adversidades não só do lixo, mas também do consumismo recebem influências diretas da falta de sapiência da sociedade, alienada pelo capitalismo. Logo, cabe ao Ministério do Meio Ambiente, em parceria com o Ministério da Educação, criarem um programa social que alterasse a Base Nacional Comum Curricular e, desse modo, passasse a fundamentar nas aulas das escolas tanto públicas como privadas o dever de descartar e reaproveitar itens corretamente, bem como conscientizar a toda a sociedade sobre o consumo racional e seus benefícios para a natureza.