O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 30/06/2020
A obra cinematográfica “Wall-E”, vencedora do Oscar de Melhor Animação em 2009, retrata um futuro caótico resultante do acúmulo de lixo descomedido pela humanidade. Contemporaneamente, o descarte excessivo de resíduos provocado pela sociedade de consumo atenta para as reflexões observadas no longa-metragem americano. Com efeito, esse desolador panorama instaura-se no território brasileiro como um inegável subproduto de questões ideológicas e educacionais.
Em primeira análise, a exorbitante produção de lixo nacional arquiteta-se como expressão das imposições do sistema capitalista. Isso porque padrões inalcançáveis de aceitação e de consumo se alçam à condição de incontestável necessidade,o que alicerça uma postura intensamente consumista por parte da população e, assim, intensificam-se processos danosos à sustentabilidade como a obsolescência programada e o descarte desnecessário de produtos.Nesse sentido,as proposições de Adorno e Horkheimer relacionam-se à temática,na medida em que vinculam o desenvolvimento do “Indústria Cultural” capitalista ao estabelecimento de modelos de desejo, os quais obscurecem a percepção das pessoas sobre os paradigmas de consumo. Dessa forma,o consumo alienado refletido pelos sociólogos alemães permite a contínua formação insustentável de lixo no país.
Ademais, em segundo plano, as falhas no sistema educacional aprofundam o cenário hiperbólico de descarte de detritos no Brasil. Esse fato decorre do parco desenvolvimento nas escolas do interesse pela sustentabilidade e sua relação com o consumismo e a produção de lixo, visto que o método de ensino vigente favorece conteúdos tradicionais, que são pouco capazes de criar senso crítico e ambiental nos estudantes. Nessa perspectiva, a padronização do estudo fere o conceito de “Escola Asa”, proposto por Rubem Alves, pois rejeita a plena formação social do aluno defendida pelo educador. Por conseguinte, a conduta acrítica dos discentes naturaliza e reproduz comportamentos destrutivos ao meio ambiente, como o acúmulo demasiado de resíduos.
Portanto, as exigências do modelo capitalista e a ineficiência educacional consubstanciam a acentuada produção de lixo pela sociedade de consumo no Brasil. Desse modo, o Poder Executivo Federal, sob forma do Ministério da Educação, deve implementar planos pedagógicos sobre a problemática em instituições de ensino, por meio da adaptação de materiais didáticos que dinamizem as práticas de sustentabilidade e consumo consciente, as quais apresentem a realização de aulas educativas com profissionais especializados, a fim de internalizar nos estudantes a importância dessa pauta. Destarte, o desenvolvimento do senso crítico e o respeito à natureza tornarão o futuro sombrio descrito em “Wall-E” um quadro impraticável no país.