O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 09/12/2020
A Revolução Técnico- Científico- Informacional que ocorreu na segunda metade do século XX, fez com que diversos campos do conhecimento como a robótica, genética, informática e telecomunicações passassem por diversas transformações, modificando todo o sistema produtivo e elevando drasticamente o índice de consumo. Com a oferta de produtos a preços acessíveis, a população aderiu ao consumismo exagerado, resultando no descarte inadequado de resíduos sólidos, causando sérios prejuízos ao meio ambiente. Nesse cenário, faz-se necessário a criação de medidas que solucionem a problemática atual.
De acordo com um estudo feito pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF), o Brasil é o quarto país no mundo que mais produz resíduos sólidos por habitante, competindo com países desenvolvidos, mas ainda tendo um padrão de descarte equivalente ao de nações pobres, com o envio de resíduos para lixões a céu aberto e pouca reciclagem. O descarte inadequado leva a poluição dos lençóis freáticos; a formação de ilhas de lixos nos rios, prejudicando a sobrevivência da fauna e flora de diversas regiões, comprometendo o equilíbrio dos ecossistemas; o entupimento de galerias pluviais, acarretando grandes problemas de saneamento, infraestrutura e saúde pública agravando ainda, a proliferação de insetos vetores de doenças como Aedes aegypti.
É necessário destacar que a negligência estatal é um dos maiores desafios a serem enfrentados, haja vista que poucos recursos são destinados para manutenção sustentável do lixo, além de investimentos em poucos aterros sanitários que realizam o tratamento adequado dos resíduos sólidos descartados. Outrossim, os hábitos de consumo exagerados sem conscientização que marcam a sociedade brasileira, contribuem para o agravamento dessa questão. É indubitável que tais práticas de consumo estejam intrinsecamente ligadas ao meio no qual se insere um indivíduo, tendo em vista que este tende a ser influenciado pelo costume de uma família consumista, agregando esse hábito em sua vida, conforme a Teoria da Tabula Rasa, apresentada por John Locke.
Portanto, é necessário que o Ministério do Meio Ambiente crie um projeto que oriente os setores públicos e privados, a indústria de reciclagem e o consumidor final, sobre o sistema de produção, consumo, descarte adequado, tratamento e reuso dos resíduos sólidos, além de incentivo fiscal as empresas que adotarem materiais ecológicos na confecção de seus produtos., minimizando impactos ambientais. Cabe as prefeituras municipais investirem na construção de aterros sanitários e fiscalizarem o processo de coleta seletiva e a sua destinação final, coibindo o descumprimento das leis. Com estas ações atenuar-se-a, em médio e longo prazo o impacto vivenciado na contemporaneidade.