O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 06/07/2020

A animação ‘‘WALL-E’’, da produtora Pixar, apresenta um cenário futurista no qual a humanidade, com estilo de vida poluidor, torna o planeta Terra inabitável. Nesse sentido, é perceptível que a alta geração de lixo e a consolidação de uma sociedade de consumo são problemas que transpõem a ficção e ameaçam a natureza no Brasil. Essas questões, portanto, são ocasionadas por fatores como inaplicabilidade legislativa e poucos investimentos em conscientização.

Nesse sentido, a elaboração da Constituição Federal, há 31 anos, teve entre seus marcos a promessa de garantir o equilíbrio ambiental e o correto tratamento de lixo. Apesar disso, é notório que o Poder Público não cumpre seu papel, uma vez que dados da revista Galileu apontam que mais de 50% das cidades brasileiras poluem por não descartar seus resíduos corretamente. Dessa maneira, nota-se que o cenário atual contradiz os direitos assegurados pelo Estado e, por isso, deve ser alterado.

Além disso, entende-se a inexpressividade dos investimentos financeiros aplicados em medidas de retração de consumo como fator agravante do problema. Assim sendo, cabe citar o conceito de ‘‘Aldeia Global’’, do geógrafo Milton Santos, que define a sociedade contemporânea como uma comunidade de excessos e superficialidades pautadas no poder de compra. Nesse raciocínio, a inserção eficaz de conscientizações torna-se fundamental para reverter esse conceito e reduzir hábitos prejudiciais.

Logo, para solucionar o problema, compete ao Ministério do Meio Ambiente possibilitar a execução legislativa por meio da elaboração de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados, que funcione ofertando verbas regulares para a ampliação do sistema de coleta seletiva em todos os municípios, com o fito de otimizar a coleta e descarte de resíduos. Ainda, cabe ao Ministério das Comunicações a criação de campanhas de conscientização sobre os malefícios do consumo, para debater e eliminar a prática. Dessa feita, o cenário caótico de ‘‘Wall-E’’ há de se limitar à ficção.