O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 12/07/2020

Na fórmula de Bhaskara, a solução da função de segundo grau depende de suas raízes — ou seja, dos valores de “x”. Da mesma forma, ao se analisar a questão do lixo no Brasil compreende-se também que é necessário a análise de suas icógnitas para se chegar na resolução dessa problemática. Logo, da mesma maneira que na equação, os coeficientes dessa adversidade estão diretamente relacionados ao consumismo exacerbado da sociedade e ao tratamento inadequado do lixo. Asim, fica claro que, para mudar esse cenário nefasto e ,sobretudo, sujo, medidas urgentes devem ser tomadas.

Inicialmente, cabe expor aqui como a sociedade consumista se relaciona com a produção de lixo e contribui para a situação crítica atual. No pós-segunda guerra mundial, houve a crise do modelo produtivo fordista em decorrência da produção de mercadorias muito duráveis e padronizadas, o que levou à formação de estoque, já que as pessoas não compravam mais. Visando contornar essa situação, houve a diversificação dos produtos e deu-se início ao ciclo de obsolecência progamada, tudo para elevar as vendas. Nesse processo, houve a formação de uma população altamente consumista, que compra frequentemente — seja por necessidade (pois seu produto quebrou ou não serve mais para certa função) ou pelo desejo de sempre ter o novo — e, assim, produz quantidades colossais de lixo.

Ademais, outro ponto a ser discutido é a forma como o lixo é descartado. O grande problema de gerar muito lixo é o local para colocá-lo, e nessa perspectiva existem dois locais para atender essa necessidade: lixões e aterros sanitários. O primeiro causa danos enormes, como por exemplo a atração de vetores de doenças (mosquitos, ratos, moscas…), a poluição do solo e do lençóis freáticos pelo chorume, além do mau cheiro. Ciente de tais danos, foi determinado, pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), o fechamento de todos os lixões até 2014, os quais deveriam ser substituídos por aterros, que provocam menos impacto na natureza. Entretanto, tal ordem não foi cumprida, visto que ainda existem inúmeros lixões espalhados pelo país.

Evidencia-se, portanto, que o lixo é uma problemática grave que assola a sociedade brasileira. Para minimizar essa questão, cabe ao Estado, em parceria com a mídia, estimular a mudança do pensamento consumista da população e fazer com que esta produza menos lixo, por meio de propagandas que exponham o resultado das compras exarcebadas e a importância de adotar a política dos 5Rs — reduzir, reciclar, reutilizar, repensar e recusar. Outra medida que deve ser efetivada, pelo Ministério do Meio Ambiente, é a fiscalização dos municípios, visando checar se esses estão seguindo as determinações da PNRS, e a punição efetiva dos infratores. Dessa forma, o Brasil poderá diminuir a quantidade de lixo e tratar o restante adequadamente, resolvendo, assim, os “xs” da questão.