O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 22/07/2020

O filme da Disney “Wall-E” aborda as consequências do acúmulo de lixo e do consumo exacerbado como fatores imperiosos para desastres ecológicos. Não longe da ficção, a globalização - aliada ao crescimento demográfico - contribui para o aumento do consumo. Este, juntamente com as estruturas sanitárias precárias brasileiras, colaboram com a crescente destruição ambiental.

Inicialmente, a globalização facilitou avanços comerciais, tendo em vista que possibilitou - por meio da tecnologia - que mais pessoas acessem novos produtos do mercado. De acordo com o pensamento de Zygmunt Bauman, o crescente desenvolvimento tecnológico, aliado ao incentivo ao consumo desenfreado, resulta em uma sociedade que anseia constantemente por produtos novos. Nessa arquitetura, é interessante ressaltar o fenômeno da obsolescência programada, estratégia utilizada pelas indústrias a fim de aumentar o consumo, tornando os produtos obsoletos mais cedo.

Destarte, essa problemática se agrava em razão das precárias estruturas sanitárias brasileiras. Temos em vista o fracasso da Política Nacional de Resíduos Sólidos, que previa o fechamento de lixões até 2014. Com isso, não há descarte de lixo adequado, consequentemente gerando contaminação de lençóis freáticos, além de aumentar a emissão de gases tóxicos. Ademais, de acordo com uma pesquisa divulgada na revista Galileu, o índice de reciclagem no Brasil é de apenas 3.7%, e mais de 50% das cidades brasileiras descartam o lixo de modo incorreto. Dessa maneira, esse caráter irresponsável da sociedade como um todo faz um alerta à contínua reprodução de tais condutas ao meio ecológico, priorizando o egoísmo ao invés da vida.

Portanto, medidas são necessárias para resolver esse impasse: cabe aos governos municipais providenciarem descarte de lixo adequado à população. Este pode ocorrer por meio da instauração da coleta seletiva, a fim de incentivar a reciclagem. Compete às escolas abordarem com seus alunos a importância da educação ambiental, por meio de gincanas ou palestras, que detalhem formas de mitigar o consumo excessivo e como contribuir com o bem ecológico. Ademais, as esferas midiáticas, em sinergia com o Ministério do Meio Ambiente, podem criar campanhas a fim de alertar os riscos do  consumo desenfreado e, paralelamente, do excesso de lixo no planeta. Por fim, tais atos poderão frear o futuro previsto em “Wall-E” e, posteriormente, melhorar o meio ecológico em que vivemos.