O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 30/07/2020

Com o advento da Revolução Industrial, no século XVIII, a produção de bens foi potencializada, o que elevou o consumo da população e, por conseguinte, a geração de lixo. Hoje, no Brasil, percebe-se que tal problemática decorre dos mecanismos de um mundo cada vez mais globalizado, imperado pelas culturas do consumismo e desperdício, e das falhas políticas de gestão dos resíduos sólidos, culminando em locais desapropriados para seu tratamento.

Em primeiro plano, nota-se que a globalização superou as distâncias entre locais do planeta, de modo a possibilitar a rápida comercialização de produtos, como aponta o geógrafo David Harvey. Nessa conjuntura, vê-se que o consumismo surgiu como um dos principais efeitos dessa prática econômica, o que, segundo Adorno e Horkheimer, da Indústria Cultural, formou indivíduos alienados, os quais passaram a ter uma falsa sensação de felicidade ao adquirir um produto por meio de um consumo irracional. Dessa forma, uma vez que a compra de itens foi incrementada, observou-se, também, aliado à cultura do desperdício, um aumento na produção de lixo.

Sob esse prisma, o destino desses resíduos, comumente, tem sido em locais inadequados. Paralelamente a essa realidade, foi retratada na novela “Avenida Brasil”, a situação dos lixões a céu aberto, marcados por uma intensa poluição do solo e lençóis freáticos, além de contribuir para formas de trabalho degradantes, que coloca o indivíduo em contato com substâncias altamente tóxicas, como o chorume, oriundo da decomposição da matéria orgânica. Assim, por mais preocupante que tal contexto possa ser, o destino do lixo ainda é visto como um problema distante do imaginário popular, o que, aliado a uma frágil educação ambiental nas escolas, naturalizou a produção demasiada de resíduos, traduzindo o conceito de “banalidade do mal”, da filósofa Hannah Arendt, o qual consiste em normalizar ações danosas à sociedade.

Portanto, é mister que o Estado tome providências cabíveis para solucionar o problema. Destarte, cabe ao Ministério da Educação realizar palestras em escolas, por meio de ambientalistas, que busquem despertar no cidadão uma responsabilidade ambiental aliada a um consumo consciente,  mediante a exposição da realidade do lixo no país, com o fito de evitar compras desnecessárias e o desperdício. Ademais, é dever do Ministério do Meio Ambiente ampliar a construção de aterros sanitários e da reciclagem, o que deve ser feito em parceira com governos estaduais e municipais, no intuito de gerar empregos mais seguros e evitar o consumo exacerbado, herança da Revolução Industrial.