O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 30/07/2020

A “Alegoria da caverna” do filósofo Platão em seu livro “A República”, descreve como a sociedade esta amarrada ao mundo materialista, uma vez que, as sombras nas quais os prisioneiros viam nas paredes da caverna traziam sensação de prazer temporário no mundo irreal. Não distante da mitologia, no atual cenário brasileiro, o consumismo por parte da sociedade trás sérios malefícios para o próprio consumidor, já que as mercadorias perdem facilmente seu valor e para o meio ambiente, na alta liberação de resíduos tóxicos. Desse modo, torna-se premente analisar os principais motivos para que a insustentabilidade e o descarte inadequado do lixo sejam um problema atual para o Brasil.

Em primeiro plano, é fulcral pontuar a obsolescência programada das industrias na fabricação dos produtos. Uma pesquisa realizada pela revista El país em 2018, demonstrou que os aparelhos tecnológicos poderiam durar em média 12 a 15 anos a mais, se o tempo de vida útil não fosse encurtado de proposito pelas empresas. Devido a isso, constantemente novas mercadorias são produzidas e lançadas pela mídia, que incentivam a compra de novos dispositivos tecnológicos, cuja promessa sempre é resolver o problema que anteriormente não foi solucionado. Concomitantemente a isso, a desvalorização na compra é rápida, que exige do indivíduo o descarte do produto, já que os preços perdem o valor de aquisição, logo é necessário mudança nesse cenário hodierno.

Em segundo plano, a produção de lixo por parte da sociedade e das indústrias acarreta a insustentabilidade do meio ambiente. Uma matéria feita pelo jornal Correio nesse ano, constatou que todo o lixo produzido anualmente pelo Brasil dava para lotar 206 estágios do Morumbi e que se todos esses resíduos sólidos que deveriam ser reciclados fossem reutilizados o país teria uma economia de aproximadamente 8 bilhões de reais. Nesse diapasão, fica claro que o descarte inconsciente da população no que tange a coleta seletiva dos detritos está causando graves efeitos a natureza, pois o chorume, o metano e as substancias utilizadas na fabricação dos produtos retornam ao meio ambiente em forma de desastres ambientais.

Depreende-se, portanto, da urgente necessidade de mitigar os impactos causados pelo lixo por meio do consumismo da sociedade. Para tanto, cabe ao Estado juntamente com seus três poderes, legalizar e fiscalizar as ações das empresas, mediante verbas governamentais, para que as obrigações dos fabricantes seja em produzir objetos de modo que a vida útil seja prolongada ao máximo possível, com a finalidade de evitar gastos desnecessários da população.  Dessa forma garantir-se-á a diminuição do consumo e consequentemente a produção de resíduos e as amarras que prendem a sociedade ao mundo materialista serão libertas.