O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 30/07/2020

Em conformidade com o químico francês Lavoisier, “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. O fato de nada se perder na natureza apresenta um impasse: o excesso de lixo gerado pelo consumismo. Com o advento da mídia, as propagandas geram uma falsa ideia de necessidade no inconsciente do receptor, o que faz com que haja consumo excessivo, levando ao descarte em massa. Este descarte pode gerar impactos ambientais: contaminação do solo, lençol freático ou mar. Com isso, faz-se necesária a adoção de políticas públicas que estimulem a cooperação no combate ao consumo excessivo e do descarte incorreto de lixo.

A Atriz e apresentadora Sabrina Sato revelou, em uma entrevista à revista Vogue, que é viciada em comprar sapatos e possui mais de 200 pares. A obsessão de Sabrina não é única: uma pesquisa do Instituto Akatu mostrou que 76% das pessoas compra compulsoriamente produtos desnecessários. Segundo Theodore Adorno, filósofo da Escola de Frankfurt, os receptores dos meios de comunicação em massa, como televisão e rádio, são vítimas da Indústria Cultura. A Indústria visa persuadir o consumidor com intuito de  lucrar com a venda de produtos. Tal necessidade irracional e inconsciente leva ao consumo excessivo de produtos que, posteriormente, são descartados.

Em grandes centros urbanos o volume descartado é grande: em cidades da grande São Paulo, por exemplo, são descartados 20 mil toneladas de resíduos todos os dias, segundo dados da Prefeitura de São Paulo. Por meio do serviço público de saneamento básico, a maior parte dos resíduos é levado à aterros sanitários, já que não contam com uma separação prévia de resíduos orgânicos e recicláveis. Como muitos compostos demoram para ser decompostos, como no caso de garrafas plásticas e latas de alumínio, é necessário cada vez mais espaços para aterro, além de tecnologias que impessam impactos ambientais. Caso o descarte seja feito de forma incorreta, pode haver contaminação do solo e lençol freático por chorume, líquido eliminado a partir de resíduos orgânicos, ou mesmo deposição de microplásticos e outros materiais na água do mar.

Dessarte, o consumo excessivo e o descarte de grande parte dele pode ser resolvido por meio de uma reflexão sobre o tanto que é descartado diariamente. É dever do Governo Municipal, por meio de políticas de redução de custos em água e energia, incentivar a separação seletiva do lixo dentro das residências. O fito de tal ação é estimular famílias a contribuir com a redução do desperdício, já que, por meio da separação, notarão a quantidade de coisas que não é consumida, além de ajudar no processo de saneamento básico. Somente dessa forma o consumo será racional e, conforme Lavoisier, será transformado.