O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 19/08/2020
Na célebre obra cinematográfica Wall-E, retrata um futuro distópico em que a Terra se tornou inóspita e inabitável devido descarte desapropriado de lixo, obrigando a sociedade a migrar para atmosfera por meio de uma enorme nave; enquanto isso, o robô Wall-E, a última inteligência artificial que restou no planeta, se esforça para fazer a coleta adequada e restituir a outrora essência do ambiente terreno. Não obstante da dramaturgia, a sociedade contemporânea possui o mesmo caráter displicente quanto ao descarte de lixo, tampouco se importando com os efeitos duradouros que seu descuido pode gerar. Isso ocorre, sobretudo, em decorrência do consumismo desenfreado, criando sequelas avassaladoras à natureza.
A princípio, é necessário observar que a cultura do consumismo alimenta a produção de dejetos industriais, desencadeando mais entulhos ao invés de buscar uma solução para dissolvê-los. Em um texto clássico escrito em 1947, “Dialética do Iluminismo”, os brilhantes intelectuais Theodor Adorno e Mark Horkheimer definiram indústria cultural como um sistema econômico que tem por finalidade produzir bens de cultura como produtos de pouca durabilidade e terrível qualidade, nos quais os indivíduos são induzidos a seu consumo. Por meio dessa obsolescência programada, as mercadorias se quebram rapidamente, obrigando os consumidores a comprá-los novamente, moldando um ciclo vicioso. Dessa forma, é evidente que por o corpo social desconhecer a forma apropriada de se desfazer de tantos objetos, acentua, enfim, a problemática do lixo excessivo.
Consequentemente, esse empecilho na manutenção da sustentabilidade resulta em atrocidades naturais que poderiam ter sido evitadas. A Terceira Lei de Newton, elaborada pelo brilhante cientista Isaac Newton, delineia o pensamento de que cada ação gera uma reação. Em contrapartida, é notável que a cada lixo jogado fora de forma errada, há uma reação natural de mesma proporção, tal qual bem exemplificada nos animais aquáticos que se sufocam com sacolas plásticas, na contaminação do solo, dentre muitos outros. Logo, é por meio dos desastres ambientais que se demonstra a indubitável e desafortunada realidade prática da tese newtoniana.
Portanto, é preciso que haja mecanismos que revertam esse quadro. O Ministério da Educação, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, deve criar uma disciplina no currículo estudantil que trate de responsabilidade social com o planeta terrestre, desde o descarte cuidadoso de objetos até o zelo com o ambiente, trazendo semanalmente uma variedade de ativistas a fim de que a conscientização seja plena e sem déficit. Somente assim, a Terra não torna-se-à tão devastada quanto a sua versão no filme Wall-E, restaurando na sociedade o mesmo pensamento sustentável existente no robô.