O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 07/08/2020

O filósofo inglês Thomas More, na sua obra Utopia, descreve um corpo social perfeito, ajustado pela inexistência de conflitos e problemas. Não obstante, o que se observa na realidade é o oposto do que o autor idealiza, visto que o lixo e a sociedade de consumo no Brasil apresentam obstáculos que dificultam a concretização das suas ideias. Esse cenário adverso é fruto tanto da falta de investimentos por parte do Estado, quanto por fatores sociais.

A princípio, é crucial pontuar que os aspectos governamentais estão entre as causas do problema. Segundo o sociólogo positivista Émile Durkheim, o Estado é a instituição máxima que permite o bom funcionamento da sociedade de forma íntegra, de modo que o equilíbrio seja alcançado. Entretanto, é possível perceber que, no Brasil, a falta de investimentos rompe essa harmonia, uma vez que pouquíssimos municípios brasileiros apresentam coleta efetiva e seletiva de lixo, bem como sua reciclagem. Destarte, nesse âmbito, faz-se necessária uma remodelação da postura estatal.

Outrossim, destacam-se os fatores sociais como impulsionadores do problema. Durkheim define fato social como os instrumentos sociais e culturais que determinam as maneiras de agir, pensar e sentir na vida de um indivíduo. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que o consumo exagerado de produtos dos mais diversos tipos é fruto de uma tentativa constante, e muitas vezes frustrada, de satisfazer suas necessidades físicas e psicológicas. Tais práticas caracterizam a chamada sociedade do consumo. Tudo isso delonga a resolução do problema, contribuindo para sua perpetuação.

É evidente, portanto, que medidas são necessárias para extinguir esse problema da sociedade brasileira. Dessa forma, o Tribunal de Contas da União deve direcionar recursos que, por intermédio dos municípios, possam ser usados para efetivar a coleta seletiva de lixo como plásticos, latas e vidros, enviando-os para a reciclagem. Essa coleta diminuiria o acúmulo excessivo de lixo e atenuaria, consequentemente, possíveis impactos ambientais. Tudo isso através da criação de políticas públicas com o objetivo de resolver os problemas causados pelo lixo. Como já foi dito pelo pedagogo Paulo Freire: “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. logo, o Ministério da Educação deve incentivar, nas escolas, atividades e projetos como ciclos de palestras e feiras de conhecimento que envolvam alunos e sociedade, de modo a abordar sobre tal problemática e as formas de como evitá-la. Sendo assim, será possível construir uma sociedade mais próxima da Utopia idealizada por More.