O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 08/08/2020

No longa-metragem “Wall-e”, da Pixar, é retratada uma sociedade distópica marcada pelo consumo exacerbado e, consequentemente, uma intensa produção de resíduos, além do mais o planeta Terra apresentava uma grande quantidade de lixões a céu aberto. Fora da ficção, a questão do lixo na sociedade brasileira representa um empecilho ao desenvolvimento sustentável do país, dessa forma o consumismo e, sua precursora, a industrialização são catalisadores no que concerne à problemática. Sendo assim, medidas governamentais fazem-se necessárias para mitigar os impactos ambientais e sanitários desse imbróglio.

À vista disso, constatam-se os dados, de 2014, da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), no qual a produção de lixo no Brasil aumentou cinco vezes mais em relação ao crescimento populacional. Sob esse viés, o processo de industrialização, aliado ao consumo inconsciente da população são os principais responsáveis por este aumento. Ademais, é lícito mencionar que esse consumo dá-se pelo contexto de internalização de falsas necessidades impostas pela sociedade capitalista ao indivíduo, tal afirmativa é consoante ao pensamento do sociólogo Herbert Marcuse.

Em adição, é válido mencionar que, de acordo com dados, de 2014, também da Abrelpe, 38% da população, ou 78 milhões de brasileiros, não tem acesso aos mecanismos de tratamento e destinação adequada do lixo. Desse modo, os resíduos são direcionados a lixões a céu aberto, ao invés de aterros sanitários, local ao qual receberia o tratamento adequado. Sendo assim, esta matéria orgânica ao entrar em decomposição libera um líquido nocivo ao meio ambiente, o chorume, que ao entrar em contato com os lençóis freáticos, por exemplo, torna-os impróprios para o uso, além de causar um desequilíbrio em seu ecossistema.

Em síntese, é notória a necessidade de medidas governamentais para mitigar os impactos da problemática. Dessa maneira, é fulcral ao Ministério de Minas e Energia, em parceria com empresas de iniciativa privada, a instalação de incineradores movidos a biogás nos aterros sanitários do país, por meio de verba ministerial e capital privado, a fim de, por meio da queima do lixo a energia térmica proveniente desta seja transformada em energia elétrica, assim, além da diminuição de chorume no meio ambiente, visto que o lixo será queimado, haverá uma redução nos gastos com a energia elétrica, tanto para o governo, como para população. Portanto, situação como a de “Wall-e” será evitada no Brasil.