O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 14/08/2020
American way of life é modelo comportamental originado no pós-Segunda Guerra, é caracterizado pela produção em massa e consumo excessivo de produtos, os quais seriam responsáveis pela plena realização dos indivíduos. De maneira similar, nota-se que, no Brasil, devido ao grande volume de aquisição, supérflua e inconsciente, é acarretado a maior produção de lixo, o qual é descartado de forma irregular. Nesse sentido, tanto a ausência de cultura de consumo consciente, quanto as debilidades nas políticas de tratamento dos resíduos sólidos resultam no cenário caótico e alarmante nacional.
Convêm ressaltar, em primeiro plano, que a falta de cultura de consumo consciente advém dos interesses impostos sobre a comunidade consumista na procura de obter as mercadorias oferecidas pelo comércio. Neste sentido, a sociedade de hiperconsumo atual, conforme descreve o filósofo francês Gilles Lipovetsky, caracteriza-se pela busca da felicidade, o que, inclusive, justifica o uso de objetos. Dessa maneira, a aquisição de produtos repassa a sensação de realização e bem-estar, fato que acarreta ao consumo desnecessário e acelerado, bem como ao descarte imediato dos objetos adquiridos.
Além disso, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), de 2010, determinava o fechamento de todos os lixões a céu aberto no Brasil até 2014. Entretanto, ainda assim é notável, atualmente, a ausência de tratamentos adequados, e esperados por lei, dos rejeitos, sendo eles ainda despejados em lixões - em que poderiam passar por aproveitamento, reciclagem e reuso - ocasionando os problemas ambientais e a proliferação de doenças na população local e do entorno. Desse modo, faz-se indispensável a efetivação da Política em todas as regiões brasileiras, em prol das melhorias necessárias para mudança desse cenário atual.
Em suma, faz-se imprescindível a tomada de medidas atenuantes ao entrave abordado. Posto isso, concerne ao Estado, mediante ao Ministério da Educação, promover os novos valores de consumo consciente, por meio de projetos educativos nas escolas, trabalhos e comunidades, a fim de incentivar e orientar o consumo adequado. Ademais, o Instituto do Meio Ambiente (IMA) poderia fiscalizar a Política já estabelecida e criar projetos de encurtamento do caminho entre geração de lixo e tratamento, por intermédio de divulgação em mídias o aplicativo de coleta doméstica e reciclagem, com a finalidade de facilitar a separação do lixo, reaproveitando assim os resíduos sólidos.