O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 14/08/2020
No longa-metragem “Wall-e”, da Pixar, é retratada uma sociedade distópica marcada pelo consumo exacerbado e, consequentemente, por uma produção intensa de resíduos. Fora da ficção, a questão do lixo, na sociedade brasileira, representa um empecilho ao desenvolvimento sustentável do país. Dessa forma, o consumismo e, sua precursora, a industrialização são catalisadores do agravamento da problemática. Dito isso, vale destacar as causas e consequências dessa problemática, que estão relacionados à atuação do sistema capitalista aliada a danos ao meio ambiente.
A princípio, constata-se o consumo inconsciente da população pela influência da sociedade capitalista como o responsável pelo aumento de resíduos na superfície terrestre. Isso porque, consoante ao sociólogo Herbert Marcuse, a “Indústria Cultural”, por intermédio de métodos coercitivos, internaliza na sociedade falsas necessidades, induzindo-a a um padrão de consumo irracional, em buscar de fomentar o lucro. Nesse viés, este, aliado ao não reaproveitamento do lixo configura-se uma barreira para supressão do problema, pois, este, ao ser reciclado pode ser reinserido na dinâmica de produção, mitigando os impactos que teria caso fosse para lixões ao céu aberto.
Seguindo esse pressuposto, é lícito postular o padrão de industrialização não sustentável como empecilho para diminuição desses resíduos no meio ambiente. Sob essa óptica, como supracitado, esses resíduos são direcionados a lixões a céu aberto, invés de empresas recicladoras, dessa forma, sua presença na natureza é nociva aos ecossistemas terrestres. Pois, a decomposição de sua matéria orgânica libera um líquido prejudicial aos seres vivos, o chorume, um dos responsáveis pela contaminação do solo e lençóis freáticos. Dessa maneira, uma mudança no padrão de industrialização, visando o desenvolvimento sustentável, mostra-se benéfica para manutenção do equilíbrio ecológico. Portanto, é mister que o Estado tome medidas para atenuar a questão do lixo na sociedade brasileira.
Posto isto, é fulcral ao Ministério do Meio Ambiente, em parceria com empresas recicladoras de lixo, criar o projeto “Repensando o lixo”, por meio de inclusão na agenda governamental, a fim de que os resíduos produzidos pela população possam ser reciclados e reintroduzidos no ciclo de produção industrial. Ademais, deve ser designado ao Ministério da Educação à implementação de palestras nas escolas, ministradas por ambientalistas, desde o ensino básico, sobre as consequências do lixo, através da inclusão na Base Nacional Comum Curricular, com intuito de gerar nos docentes uma consciência de responsabilidade para com o meio ambiente. Nesse sentido, situação tal como a de “Wall-e” será evitada e, assim, o país poderá desenvolver-se de maneira sustentável.