O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 14/08/2020

Na obra “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, é retratada a trajetória de Fabiano e sua família, que procuram viver com dignidade, usufruindo de seus direitos básicos, como saúde, educação e moradia. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada por Ramos pode estar relacionada ao problema do lixo na sociedade do consumo no Brasil, pois o avanço acelerado do êxodo rural e o não cumprimento das leis ocasionou o acréscimo do lixo, principalmente nos centros urbanos. Com isso, faz-se necessária uma intervenção que busque garantir a eficácia do saneamento no meio ambiente e a mudança no estilo consumista da atualidade.

De início, tem-se a noção de que a Constituição Federal de 1988 assegura a todos os cidadãos o direito à preservação do meio ambiente. No entanto, não há eficácia desses direitos na realidade brasileira. Nesse sentido, o escritor Gilberto Dimenstein, em sua obra “O cidadão de papel”, afirma que nem sempre as leis presentes nos documentos oficiais são cumpridas, desencadeando uma realidade em que os indivíduos são reconhecidos e amparados pelo Estado apenas no papel. Somado a isso, em função da procura por melhores condições de vida, houve um aumento no efeito do êxodo rural, ocasionando o inchaço urbano. Dessa forma, é inquestionável a existência de um ambiente poluído e contaminado.

Por conseguinte, cabe a análise do documentário “Oceano de Plástico”, que adverte sobre os perigos do lixo excessivo gerados pela sociedade e como isso afeta o hábitat marinho e terrestre. Desse modo, há o comprometimento do equilíbrio ecológico, que auxilia na destruição da fauna e da flora, além de causar diversos impactos sobre as cidades, como é o caso das enchentes. Sob esse viés, a Revolução Industrial, iniciada no século XVIII, contribuiu para o acréscimo do consumo, colaborando para o agravamento do lixo no ecossistema atual.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para a conscientização da população a respeito do problema, urge que o Ministério do Meio Ambiente crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias nas redes sociais, com a utilização de jogos, dados e vídeos educativos sobre as inúmeras consequências que o lixo pode causar a esfera social e ambiental, para que os cidadãos mudem seus hábitos de consumo exagerado, além de sugerir o uso de objetos ecológicos, como as sacolas biodegradáveis. Somente assim, será possível combater a passividade de muitos que consomem de maneira exagerada, e ademais, auxiliar na qualidade de vida, como a procurada por Fabiano, no livro “Vidas Secas”.