O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 15/08/2020
Na obra “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, é retratada a trajetória de Fabiano e sua família, que procuram viver com dignidade, usufruindo de seus direitos básicos, como saúde e educação. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada por Ramos pode estar relacionada ao problema do lixo na sociedade do consumo no Brasil: gradativamente, o avanço acelerado do êxodo rural e o não cumprimento das leis corroboram para o acréscimo do lixo, principalmente nos centros urbanos.
De início, tem-se a noção de que a Constituição Federal de 1988 assegura a todos os cidadãos à preservação do meio ambiente. Porém, é inquestionável a existência de um ambiente poluído e contaminado, cujo qual, de acordo com o IBGE, foi intensificado devido ao intenso processo de êxodo rural nas décadas de 1970 e 1980. Nesse sentido, o escritor Gilberto Dimenstein, em sua obra “O cidadão de papel”, afirma que nem sempre as leis presentes nos documentos oficiais são cumpridas, desencadeando uma realidade em que os indivíduos são reconhecidos e amparados pelo Estado apenas no papel.
Por conseguinte, cabe a análise do documentário “Oceano de Plástico”, que adverte sobre os perigos do lixo excessivo gerado pela sociedade, e como isso afeta o hábitat marinho e terrestre. Desse modo, há o comprometimento do equilíbrio ecológico, que auxilia na destruição da fauna e da flora, além de causar diversos impactos sobre as cidades, como é o caso das enchentes. Sob esse viés, a Revolução Industrial, iniciada no século XVIII, contribuiu para o acréscimo do consumo, colaborando para o agravamento do lixo no ecossistema atual.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para a conscientização da população a respeito do problema, urge que o Ministério do Meio Ambiente crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias nas redes sociais, com a utilização de vídeos educativos que discutam sobre as consequências que o lixo pode causar à esfera social e ambiental. Dessa forma, será possível garantir a mudança no hábito de consumo exagerado enraizado nos costumes da população. Só então, a sociedade poderá promover a preservação ambiental, e, ademais, auxiliar na qualidade de vida, como a procurada por Fabiano, no livro “Vidas Secas”.